quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mano


E aí, Mano? Naquela última vez tu me disse que estava bem, e pela primeira vez me convenceu. Sei como é isso de estar tudo bem, estar feliz, de bem contigo mesmo. Já ouvi muito falarem. É o slogan oficial das pessoas ao redor. Mas não se preocupe, até que estou legal, só que ainda tenho problemas de visão. Como vai a medicina? Não tenho nada pra dizer, como pode ver. Só acho que estamos nos vendo pouco, em momentos demasiado formais, com montes de gente na volta. Queria jogar umas pedras no rio contigo, sem precisar falar nada. Não curto muito falar, tu sabe.

Esses dias, num bar, ouvi “Teatro dos Vampiros” e lembrei de nossa época. Me matei rindo ao lembrar que tu cantava “Vi capoeira se escondendo pelos cantos...” e eu te corrigia toda vez é “É ‘Fica a poeira se escondendo’... caralho!” (Risos.) Tanto tempo depois, acho que essa música não faz muito sentido na tua vida, esse lance de não ter dinheiro, de estar procurando emprego, badernas com garotas e tudo mais. Tu é um médico casado agora. Aliás, como vai a Natália? É uma ótima pequena, ela. Bonita, divertida, parece cuidar bem de tudo que merece cuidado. Tu se deu bem na vida, não é, Mano? Eu continuo inadequadamente o mesmo.

Estava saindo com uma até semana passada, mas sabe como é. Sou sozinho, não sei dizer não, aí elas vêm, comem minha comida, atiram suas calcinhas no meu cesto de roupas, depois aqueles papos vagos e reticentes de que o mercado imobiliário de e  Belo Horizonte está um absurdo, e quando vejo estou virando um consorte magrelo. Não quero mencionar mais nenhum cara. Ela não era nenhuma Natália e eu não daria um bom marido, então foi melhor desse jeito, cada um para o seu lado. Sentiria falta, se não tivesse me acostumado. Minha vida amorosa sempre foi uma esteira rolante, tipo aquelas de indústria, sabe? Sou esse péssimo operador de máquinas, eu me distraio, e elas acabam se chocando umas nas outras.

Fico solteiro e já penso em comprar uma moto. Sei o que tu está pensando Mano, que estou vivendo uma crise da casa dos vinte e alguma coisa, crise pré formatura. É que os velhos estão com saúde, não tenho filhos, propriedades, e nem o diabo de um amor. Isso diminui o medo de morrer. E tu sabe melhor do que ninguém, um dia a moto te ganha. (Ah, o tornozelo ainda dói? Futebol nunca mais, mesmo? Putz, você gostava tanto) Pensei em mudar estrategicamente. Pensei em Rio de Janeiro. Fica perto da praia, daí da tua casa. A droga é que lá não tem emprego sobrando. Mas é só um plano, entre os milhares que já tive e nunca realizei. Sempre fui o rei dos planos, péssimo em execuções.

Esses dias me chamaram para uma entrevista. Aquela fileira de gente engomada do outro lado da mesa, me fazendo perguntas idiotas. Se eu tenho namorada, onde quero estar daqui a cinco anos, qual meu pior defeito. Porra, como vou saber essas coisas? Bem, disse a eles que não gostava muito de falar, que era de ficar na minha. Pelas caras tortas, não gostaram muito da minha sinceridade. Esse pessoal de recursos humanos não enxerga nada. Se sou retraído não é porque sou alheio ao mundo, mas porque sou sensível a ele. Vejo coisas que os outros não. Sei lá, li isso numa revista aí. Minha timidez é como uns óculos de sol, se eu detestasse o verão não haveria por que usar. Só que eles vêm com aqueles papos de “vestir a camiseta”, querem que a gente se empolgue com um trabalho que não faz sentido algum. Tu já salva vidas, não deve ter esse problema. Mas por que o mundo todo gosta tanto de mentir para si mesmo, hein Mano?

Algumas pessoas dizem que nunca mentem, e essa é apenas a primeira de sua série de mentiras. É tudo em nome do conforto. Vendedor hoje em dia é “consultor de negócios”. Um consultor de negócios me vendeu uma torradeira esses dias, e ganhou dois pilas de comissão. Não dá nem um maço de cigarros. Os afro-descendentes, os deficientes visuais, ninguém mais é negro ou cego. Está tudo muito chato. A religião, por exemplo. Eu não conseguiria atravessar a única vida que tenho seguindo as normas de um deus que eu nem sei se existe, que quer ser reverenciado o tempo todo, que só me faz sentir culpado.

Ok, Mano, já vou indo. Vai dar um pouco de atenção pra tua mulher. Só estava meio vazio, querendo falar uns troços pra alguém de confiança, jogar conversa fora. Está todo mundo ficando velho e esclerosado por dentro. Os bares estão perdendo feio para a TV, não há mais ninguém nas ruas. Não tenho me identificado muito com ninguém. Mas tudo bem. Levei um tempo até entender que pode ser muito libertador não se sentir parte de nada. E tu sabe como sou, dramatizo para dar às coisas a importância que originalmente elas não têm.

Um abraço, Mano.
Eu te amo, cara. Tu sabe.
Fica bem.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Especial mas não o suficiente.

Sei lá, há montes de regras ou talvez seja fricote demais pra minha idade.  Não sou homem o bastante para dizer pessoalmente.  
   Me senti especial por dois dias inteiros pela existência de  alguém inteiramente meu de verdade, No horário nobre, de cara limpa, de verdade.  Por mais que seja intensa a loucura não encare como uma.  Não sei mais como se faz isto, corro como ratinho que sou em uma eterna roda para ratos, cachorro correndo atrás do próprio rabo, dando voltas em si mesmo. 
Eu poderia fazer uma lista com no minimo cem linhas de todas as qualidades que vi em você,  poderia descrever a vontade que tive de desarmar o soldado embaixo da minha pele e dizer que queria ficar, no entanto não consigo. 
   Achei que já estava pronto para algo assim, para alguém como você, mas não estou, não resolvi questões minhas que precisam ser resolvidas antes de começar algo bom, não estou inteiro, uma relação requer integridade  em todos os sentidos que se possa pensar.
Não estou preparado para um relacionamento tão pouco para essa coisa de one-night-stands, o que me resta ficar sozinho. 
Desculpe-me por tudo, mas não consigo fazer isto com você e nem comigo, se não posso ser o melhor que não seja nada.

Pateticamente mas como muito carinho.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cachorro latindo.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

O chato


“Estou apaixonado por você. Mas só por hoje. Ou melhor: até amanhã, ou enquanto dure o efeito do álcool… mas não me peça exclusividade, sabe como é que é, tem muita gente por aí, uns exs inacabados, estou trabalhando muito e também tem outras coisas e tal… você entende, não é…?”- Claro, afinal, ninguém quer ser careta.
Existe uma plasticidade que insistem em chamar de contemporânea no mundo do amor. Certo valor mercadológico que torna as pessoas cada vez mais descartáveis. Namorar está em desuso: vivemos um relacionamento. Rola um lance, um clima. Depois, beijos e abraços, gritos roucos. Enfim. Nada de casamentos arrendados, namoros por conveniência. Os tempos são outros. Tudo flui. Mas não chega a lugar nenhum. Afinal, como disse Caetano: “ele me deu um beijo na boca e me disse: a vida é oca como a toca de um bebê sem cabeça”.
É inevitável pensar que quanto mais insistimos em achar a pessoa que faça o coração valer a pena, proporcionalmente, mais confirmamos que não fazemos parte da regra. E é difícil viver em exceção. É piegas ser romântico… quer dizer… shhh… ninguém pode saber que eu quero me apaixonar. Na verdade, esquece isso. Essa coisa toda de amor.
Esse negócio de querer encontrar um namorado, alugar um apartamento, adotar um yorkshire e comprar um aquário enorme para sala é muito antiquado. Algo tão chato atualmente. Todo mundo procura outra coisa. E embora ninguém a ache nem saiba exatamente o que é, faz muito mais sentido ser moderno do que a ideia old-fashioned de happy ending.
Escrever sobre amor parece bem menos entusiasmante do que  escrever sobre traições, separações e disfunções.
- Lá vem aquele chato, falando de amor de novo. Esse cara só fala disso.
Me desculpem, é que pra ser sincero, às vezes, me sinto um tanto disfuncional no meio dessa era do não-amor e apostar em algo frívolo, efêmero e substituível. Mas tem nada não. É só um leve dissabor, afinal, ainda com Caetano: “Eu queria querer-te amar o amor, construir-nos dulcíssima prisão. Encontrar a mais justa adequação: tudo métrica e rima e nunca dor. Mas a vida é real e é de viés e vê só que cilada o amor me armou: Eu te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és”.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O mala.


Imagine que tenho uma mala muito pesada com um milhão de moedas de ouro. As alças ficam penduradas no meu pescoço, me forçando a cabeça pra baixo, retesando os músculos do olhar pra frente.
Vez ou outra, uma pessoa da rua passa e tenta me roubar. Mas, por mais que esteja tão pesado e doendo e estragando a minha coluna, luto até a morte pra proteger a tal da mala. Automaticamente me atiro contra o chão, como se protegesse um filho das balas. São terríveis esses quilos centralizados no ponto mais fraco do meu corpo, mas pra violência a gente não entrega nem os fardos.
Dai, também, às vezes, uma pessoa da rua se oferece pra carregar a mala pra mim. Ou pra guardar em sua casa. Ou pra dividir o peso ao estilo “uma mão em cada alça”. Também não consigo entregar meu arqueamento e tamanho para essas pessoas. O amor gentil nunca me conquistou. Gentileza é coisa pra quem nunca será íntimo. Solidariedade é coisa pra campanha política. Felicidade é pra quem se conforma em ficar num lugar só porque está bom.
Mas muito de vez em quando, como aconteceu com a gente, aparece uma pessoa que não me pede nada e pra quem eu tenho vontade de entregar cada moeda da minha mala com um milhão de moedas de ouro. Tome, leve, gaste, use, encha a sua banheira com elas e depois me mande uma foto.
Eu sou um mendigo ao contrario. Eu ando pelo mundo implorando pra que alguém aceite a minha riqueza. Fico sentado no chão, tocando meu instrumento, com um chapéu imenso e lotado. E a plaquinha “por favor, não me ajude”. Muitas pessoas passam, mas pra poucas me levanto.
Posso ficar horas tentando te explicar. Você tem um resto perdido e solitário de sobrancelha ao lado da sobrancelha esquerda. Você tem pequenos buracos entre os dentes de baixo. Você molha o lábio com a língua ainda mais seca que seus lábios, quando está nervoso. Você joga seu maxilar inferior pra frente quando a risada é de deboche. Você joga o seu maxilar superior pra frente quando a risada é de timidez.
Você atravessou a rua com as mãos congeladas dentro do bolso. Você pede perdão pela sua parte playboy com a doçura e a sinceridade de um poeta descalço. Você me convida pra almoçar no restaurante onde terminamos e, porque sabe ser piadista exatamente do jeito que combina comigo, explica detalhadamente onde é o lugar como se eu não lembrasse dele todos os dias.
Eu vejo a palavra “reply” no meu celular e, só porque tem a letra “y”, a letra mais forte do seu sobrenome, sinto de leve um chutinho atrás dos meus joelhos. Eu poderia ficar horas te explicando por que eu acho que é amor.
Você outro dia fez o exercício contrário. Ficou tentando me explicar por que não é amor. Falou da minha amargura verborrágica, das minhas fases com remédios , do quanto odiava quando eu tentava extrair mais e mais e mais do seu peito protegido pelas várias jaquetinhas modernas que parecem paletozinhos mas têm zíper e, por fim, disse que apesar de não simpatizar com elas, prefere os meninos que te fazem sentir de férias em um spa relaxante.
Não são por essas coisas que não se ama. Não são por essas coisas que se ama. Essas são apenas as coisas sobre as quais conseguimos falar na nossa ânsia de ocupar a cabeça enquanto nos encaramos um pouco assustados.
A verdade é que, no meio da multidão, estamos carregando nossas malas pesadas de riquezas e belezas e sentimentos. E uma hora, só porque acontece e não se pode explicar sem parecer ingênuo e arrogante, escolhemos uma pessoa que nos leve.
Eu sei que é amor porque eu te escolhi pra me levar e, mesmo você não tendo aceitado, eu fui.
Eu te vi atravessando a rua com as mãos frias dentro da “jaquetinha paletó que tem zíper” e fui lançado sem tempo de pena. Você não sabe, você não vê, você não quer, você não se importa. Mas, no último segundo do sinal fechado, eu abri a janela do meu carro e joguei a mala com milhões de moedas de ouro.
A mala não te atingiu, caiu meio metro antes do seu último passo. Nem o som do meu peito desmoronado, nem o cheiro do meu amor metalizado, nem a luz da minha devoção dourada. A mala espatifou no meio da avenida caótica pela chuva e pela véspera do feriado. Os famintos, os entediados, os pobre-ninguéns, os todos-os-outros, se engalfinharam pra tirar proveito do amor que, lançado ao homem sem mãos aparentes, agora ficou esparramado, exposto e restante no asfalto, como um resto de feira reluzente.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tomates prodres

Nós somos claramente responsáveis pelas consequências das nossas atitudes. Como há duas semanas, quando me dei conta de que tinha guardado a conta de luz de março e esquecido de pagar. Foram três horas vivendo na Era pré-Thomas Edison, em um dia cheio de textos deixados para a última hora.
Nós também somos responsáveis pelo que dizemos - e pelo que deixamos de dizer. Sou pentacampeão mundial na categoria falar coisas horríveis sem pensar. E, na maioria das vezes, o arrependimento vem durante o vômito de palavras inconsequentes, raramente acompanhado de um pedido de desculpas. Porque sou hexacampeão em orgulho idiota.
Nós somos responsáveis - ou pelo menos tentamos ser responsáveis - por uma lista infindável de obrigações morais. Não conseguimos nem nos livrar daqueles que cativamos. Como decretou Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe", somos eternamente responsáveis por essa gente. E eu sei bem disso, pois não suporto a ideia de que exista alguém no mundo que não goste de mim.
A justificativa para todas essas responsabilidades, incluindo a de ficar fortão, bem vestido, ter um trabalho apaixonante e uma pessoa incrível para amar e ser amado, é chegar a algo próximo do que se considera "felicidade".
Mas será que, assim como nossas contas para pagar, nós somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade?
É natural pensarmos que não. Aprendemos desde cedo, na escola, que os seres humanos dependem de outros seres humanos. Lembro da professora de "Atualidades" falando sobre como o comércio é uma das provas de que não somos autosuficientes. Nós precisamos trocar para sobreviver.
E seguindo essa lógica, seria, de fato, impossível ser feliz sozinho. Tom Jobim devia concordar com a minha antiga professora de "Atualidades". De repente eles até já se pegaram. Isso explicaria muita coisa do que ela dizia nas aulas.
De todo modo, se eles estiverem certos - minha professora de "Atualidades" e o Tom Jobim - então a felicidade está fora da nossa esfera de responsabilidade. Nós dependemos da troca com outros seres humanos para sobreviver. Nós dependemos do quanto os cativaremos e do quanto seremos cativados por eles. Nós dependemos das suas escolhas, das suas palavras e das consequências de suas atitudes. E, por isso, meus caros, seja como for, a culpa por nossos infortúnios jamais haverá de ser nossa.
Ufa.
Acontece que, ao nos livrarmos do terrível peso de sermos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade, adquirimos outras cargas, tão trambolhudas quanto. Como a autopiedade, por exemplo. Culpar o mundo pelas injustiças sofridas, lamuriar-se pelas tristezas vivenciadas, sofrer, sofrer, sofrer, e depois sofrer mais um pouco é o que os seres humanos fazem quando isentos da responsabilidade de serem felizes.
Ok, nós precisamos da troca com outros seres humanos. Nós damos batatas e recebemos tomates de volta. Só que se os tomates vierem todos podres, cabe somente a nós decidir o que fazer com eles. Podemos sentar e chorar, nos vitimizar, repetir que "só acontece comigo", que "é sempre assim", "ó vida, ó azar"... ouuu - e sim, existe um ou - podemos elegantemente juntar os tomates podres, jogá-los na lixeira e fazer o melhor que nos for possível com as batatas que restaram na despensa.
Não digo que é um trabalho simples. É milhões de vezes mais tentador chorar pelos tomates podres no chão. Eu, por exemplo, seria um suicida nato, não fosse pelo meu egocentrismo exacerbado. Sou bom demais para morrer, seria um desperdício. Mas tenho total consciência de quando escolho ser infeliz. É aquela fração de segundo em que você deliberadamente opta pelo sofrimento. Você tinha escolha, mas preferiu a habitual dose de autodestruição e autopiedade. E é quase compreensível. É muito mais fácil ser infeliz.
Para tentar ser feliz, você precisa assumir responsabilidade pelas trocas efetuadas com outros seres humanos. Para o bem e para o mal, você é o único responsável pela forma como essas negociações te afetam. Já para ser infeliz, você não precisa fazer absolutamente nada. É só esperar um pouco que os tomates podres virão. E eles virão aos montes.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cheio de vazio.

Copo cheio, relações vazias. BH virou sinônimo de open bar. A excitação e ansiedade pela “balada perfeita” traz como conseqüência do dia seguinte a carteira vazia e o fígado cada vez mais debilitado; isso para não mencionar os resultados da trágica mistura “álcool + volante”.

É assim que muita gente tem vivido por aqui; buscam fugir dos problemas, frustrações e insatisfações em ambientes superficiais, onde a “alegria” é efêmera e desprovida de sustentação. Chega a ser um vício muitas vezes difícil de detectar. A fórmula já é mais do que conhecida: bebida liberada, ambientes super povoados e imagem sobrepondo ao conteúdo.

Não há nada de errado em curtir uma balada, sair para se distrair, deixar de lado as preocupações. O problema é quando a exceção vira regra, quando a quantidade é mais importante que a qualidade. O “baladeiro” não quer perder seu tempo se preocupando com os outros, quer satisfazer seu ego e suas vontades a seu tempo e modo e em seguida partir pra novas aventuras. São pessoas que não suportam a própria cia, precisam desesperadamente da adrenalina alcoólica para se sentir preenchidas. E o ritmo tende a acelerar cada vez mais, já que o efeito da “droga” é curto.

Em meio a tudo isso temos ainda o paradoxo de que grande parte dessas pessoas anseiam e procuram por alguém que supostamente seria o responsável para encerrar toda essa fase descompassada. Ora, sendo bastante simplista: se nesse tipo de ambiente dificilmente se consegue ouvir a voz do outro, como seria possível conhecer uma pessoa disposta a iniciar um relacionamento sério? E mais, por que acreditar que um namoro tem o poder de consertar tudo e colocar as coisas no lugar? Somos inteiramente responsáveis pela nossa felicidade, estando acompanhados ou sozinhos. Atribuir a alguém o poder de solucionar nossos problemas é o primeiro passo pra derrocada de uma relação.

Como já foi dito certa vez, vivemos na era do “fast-food” e da digestão lenta, do homem grande, mas de caráter pequeno; das casas chiques e lares despedaçados; do excesso de vaidade e lucro e das relações vazias. Para aqueles que insistem em permanecer no ciclo vicioso da futilidade, meus pêsames. Ninguém é melhor do que ninguém, o que temos de mais valioso não é possível se enxergar a olho nu e as nossas melhores experiências não são vivenciadas quando estamos bêbados. Portanto, saia do “transe” enquanto é tempo, tem muita coisa interessante por detrás das cortinas deste espetáculo bizarro.