sábado, 15 de agosto de 2009

apague as luzes!

A felicidade é uma ilusão de ótica, dois espelhos que refletem entre si a mesma imagem ao infinito. Nem tente buscar a imagem original, não existe nenhuma.
Não diga que a felicidade é efêmera. A felicidade não é efêmera. O sentimento que se sente e é tomado como felicidade quando se está apaixonado, quando se teve sucesso em alguma coisa, é uma liberdade condicional antes de conhecer a pena: o ser amado não se parece com nada, o que você conseguiu não serve para nada. Isso não o faz infeliz, mas consciente. A felicidade não acaba, ela apenas se retifica.
Nós inventamos a luz, para negar a escuridão. Colocamos as estrelas no céu, plantamos postes a cada dois metros nas ruas. E lâmpadas dentro de nossas casas. Apague as estrelas e contemple o céu. O que você vê? Nada. Você está diante do infinito que o seu espírito limitado é incapaz de conceber, de forma que você nada mais enxerga. E isso o angustia. É angustiante estar diante do infinito. Fique calmo; os seus olhos sempre encontrarão as estrelas obstruindo a trajetória deles e não irão mais longe. De forma que o vazio dissimulado por elas será ignorado por você.
Apague a luz e arregale os olhos ao máximo. Você nada verá. Apenas a escuridão, a qual é mais percebida do que vista por você. A escuridão não está fora de você, a escuridão está em você. Eu carrego a maldição da lucidez. Os olhos da minha alma estão arregalados sobre a vida e contemplam o vazio. E, contudo, já brilhou em mim a fagulha enganadora de uma esperança indefinida, a qual me fazia esquecer, por instantes, o gosto amargo da medula apodrecida do mundo,única barreira entre mim e a auto destruição.
vivo pq?não sei.
Toda as manhãs, eu me solto dos braços de meu travesseiro, petrificado com a ideia dessas horas intermináveis que se sucederão lentamente até que eu possa remergulhar no esquecimento benéfico de um novo sono.
Como é preciso passar o tempo e impedir o pensamento, eu me ocupo. Da maneira mais -TIL possível. A superficialidade é a única pana- céia de minha latente depressão. E eu a agito por cima de minha cabeça para expulsar minhas ideias obscuras, fiz dela uma arte de VIVER.