sábado, 12 de setembro de 2009

A traviata

Acabo de me apaixonar por uma ópera coisa que sempre tive preguisa, A Traviata,Inspirada em A dama das camélias.
      A coisa toda é muito simples.Violeta ama Alfredo. É o amor, a paixão, coisa de pirado. Mas Violeta é urna cortesã. Isso quer dizer puta de luxo.Violeta é puta de luxo e sabe muito bem que Alfredo não possui os meios para sustentá-la. E, como ela não quer arruiná-lo, tenta sair dessa vida. Uma grande briga, a reconciliação em meio às lágrimas e a decisão de não se separar mais. Só que chegou a vez de o pai de Alfredo aprontar. Ele exige que Violeta deixe o filho em paz porque o relacionamento dos dois está manchando a boa reputação da família. Violeta, disposta realmente a qualquer sacrifício, usa de tudo para afastar dela o apaixonado enlouquecido. E ela consegue tão bem que, este, transtornado como só ele, faz tantas maldades que ela acaba morrendo. No meio disso tudo, pinta também a tuberculose. Porque, como toda boa heroína romântica, ela está tuberculosa. Pronto. Uma bela história de amor. Destruída pela morte. È triste, hem? - Sim, é triste. - A continuação, a gente não sabe. A gente não sabe o que acontece com Alfredo depois. A gente não sabe se ele consegue esquecer Violela. Como é que ele faz para aguentar a vida, quando aquela que ele ama morre.será que, vinte anos mais tarde, Alfredo esteja casado e seja um modesto pai de família, sofra de vista cansada, uma ligeira calvície se insinue, e, quando o nome de Violeta emerge da confusão nebulosa de suas lembranças, ele o associe a uma das suas farras da juventude, há muito devidamente expiada, e ele nem saiba ao certo se sua ex-Dulcinéia morreu ou foi simplesmente embora. E se for o caso de Alfredo ter enlouquecido? E se for o caso de ele ter morrido de tristeza? "Nada disso. Eu conheço a continuação. Alfredo vai toda noite para as ruas. Ele afoga sua dor na vodca. Ele bebe como uma esponja e termina a noite sempre de quatro. E pensa na-quela que perdeu. "Alfredo descobriu a cocaína e enche o nariz de pó 24 horas por dia. E pensa naquela que perdeu. Alfredo não sabe mais chorar. Porque chorar alivia, e ele não quer se sentir aliviado. Violeta está perdida para sempre e Alfredo se vinga em outras putinhas, em babacas desinteressantes, da morte daquela que amava. Ele transa com elas, ele as perverte, ele as faz sofrer. Bem que gostaria de matá-las, mas não tem coragem para tanto. Elc gostaria sobretudo de se matar, de estourar os miolos. Uma vez que não tem mais nenhuma razão para viver. Mas ele também não tem coragem. Ele é um covardão,
um covarde miserável. Ele é incapaz de largar esta existência abominável, prefere viver da pior maneira possível. Alfredo é alcoólatra, drogado e suicida. Ah, mas não precisa se preocupar com ele. Ele não vai durar muito e também vai morrer. De uma overdose, de um acidente de carro, de uma facada num beco, de uma DOENÇA incurável... Ele reencontrará de novo o sorriso apenas para dizer adeus.
A calma. A solidão, enfim.