Crescer....palavra que eu aprendi odiar,quero me livrar do peso das obrigações,hoje só durmo as 00:00am eu acho,Me agarro ao café!
Às vezes minha arrogância não deixa e eu queria me cortar. Ela não deixa e eu queria cortar alguém. Ela não deixa e eu quero pular da janela, dormir meses, tratar alguém mal, pouco me importar, quebrar tudo, fazer algo terrível, nunca mais fazer nada. Ela não deixa e eu coloco meus oculos escuros vermelhos gritantes e vou disfarçar meu desespero por aí. Minha arrogância não admite, não permite, mas não é nada disso, é só tristeza. Eu estou triste de uma tristeza absurda. Muito triste. Quase não dá pra suportar, mas dá.
Eu nem choro porque é daquelas tristezas que o choro sai em berros e eu ainda estou na rua, não posso berrar assim, do nada. E nem resolveria. Nada resolve. Triste.Me irrita ter alguma obrigação,viver sob pressão. Só isso. Ninguém vai morrer e nem eu. O pintor terminou a parede vermelha e eu vou pagar o pintor. Amanhã vou apresentar o começo de meu trabalho novo e talvez eu sinta uma quase alegria. Mas aí vou ficar triste porque minha pouca alegria, esse soprinho de vida, me lembra que depois vem isso. Essa coisa ruim. Pressão,e piorada. Então nem subo pra não descer. Fico aqui, na minha catatonia de tristeza. Porque a tristeza, pra me desesperar mais ainda, não tem desespero. Ela é o que é. E as coisas sem desespero é que são verdadeiramente tristes.
Ser normal é isso. Maduro. homem. É combinar com o marceneiro a largura da prateleira querendo morrer.É levar a nota fiscal querendo morrer. É passar as notícias do jornal mijar depois e querendo morrer. E não morrer. É sentir a maior loucura do mundo dentro de si, a maior dor do mundo dentro de si, a maior preguiça do universo dentro de si, e simplesmente apertar o andar do apartamento no elevador marcando dez da noite, comer um ambuguer, sozinho,combinar o ano novo, deixar uma frestinha aberta, trocar a roupa, alinhar os livros.
Odeio o mundo estragado em que vivo.Quero voltar a ser criança,quero a minha cama quentinha. Ficar sozinho não me dá nenhuma paz,volto amanhã e decidido para a minha velha casinha minuscula. os amigos não tiram essa bola de pêlo cortante da minha goela, reuniões de trabalho ou de comemorações são sempre intermináveis e com pessoas que parecem mais vivas e felizes do que eu, ou exatamente o contrário, dormir é acordar de meia em meia hora e repensar de novo e de novo e de novo. Odeio morar dentro de mim, esse ser que sou eu e que não me faz feliz e nem me deixa dormir. Esse ser que está sempre em outro lugar, no lugar de sentir todas essas coisas. No único lugar de sempre, esperando, esperando, doendo, doendo, cheio de si nos dois sentidos. Mas é a arrogância de novo. Querendo odiar. Querendo entender. Querendo doer mais que todo mundo, querendo não ser. Mas não é ódio e nem nada. É tristeza. Muita. E uma vontade enorme de sair daqui. Uma vontade minúscula perto do tamanho da minha tristeza. Eu que sempre vou embora de todos os lugares, acabo sempre chegando a conclusão que a tristeza é o único lugar do qual jamais se vai embora.
Quero fazer alguma coisa. Botar uma música, racionalizar, me dopar, me agarrar em outras coisas, exorcizar tudo. Nada, nada. A tristeza fica lá, sentada no meu peito, imperial, enorme, antiga, centenária, senhora do mundo, gigantesca, verdadeira, absurdamente verdadeira. Dizendo que não tem jeito não.Só fonciono se for leve,sem obrigação. É isso ou ser arrogante demais pra não existir. Então, é só a tristeza. Como se isso fosse alguma coisa pouca, ainda que seja absurdamente só.