quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A vida sempre continua

O bom de estar procurando é justamente sair de casa, seja pra onde for, e ter boas histórias pra contar, já dizia meu penúltimo último homem do mundo por quem eu sofreria.


Não sei exatamente o que estou procurando, mas como parei o remédio do soninho e não durmo mesmo, acabei parando numa festa com uma mesa um tanto peculiar e uma banda com um cara que gritava em um microfone ininterruptamente. Com violência. Com vida. E eu só pensava na força que saia de dentro dele.

A menina ao lado contava que tinha dormido transando. E o namorado só descobriu porque, depois de anos sem ela emitir qualquer som durante o ato, ela tinha roncado. Era tipo um avanço.

O cara da frente dizia “ô Jimmy, tem que parar de rir do amor, amor não é que nem o Felipe ou qualquer idiota, aquele amigo da escola que você tira sarro das tetas, amor é pra elogiar, exaltar”. Mas eu juro que rir é uma forma de amar. Quer elogio maior do que prestar atenção na pessoa a ponto de rir dela? Não é não. É sim. Não é não. É. Você acha certo aqueles 67 mil textos tirando sarro do seu penúltimo último homem do mundo por quem você sofreria? Alguém no mundo já amou alguém no mundo mais do que eu amei ele? Você não amava ele. Amava. Não amava. Amava. Não.

E o cara da banda gritando no microfone ininterruptamente. Com violência. Com vida. E eu só pensava na força que saia de dentro dele.

Aí outra garota, ao lado da garota que dormia transando (e eu tomando remédio justamente pra conseguir dormir sem pensar nisso) disse que estava lendo o melhor livro da vida dela “A vida continua 2”. Vejam bem: sendo assim, era certo que existia o primeiro “A vida continua”. E ela, a vida, tinha continuado tanto que agora tinha o 2. Isso que era dica literária.

Quando tudo ia ficar chato e meus devaneios assassinos iam começar a ser postos fantasiosamente em prática, eis que o vocalista pára e grita o refrão “eu estaria ao seu ladoooooo na fila do supermercadoooooo”. E então foi isso. Não tem lugar no mundo onde eu me sinta mais sozinho, deprimido e com síndrome do pânico. É isso. Pronto. O cara deve fazer o melhor sexo oral do planeta (foram duas horas e meia no microfone, gente!) e ainda ia resolver meu problema de solidão, depressão e pânico. Eu estaria ao seu ladooooooooooo na fila do supermercadooooooooooooooooo.

Isso até eu começar a rir dele, pegar bode de gaita e microfone, ter ciúme da caixa do supermercado ou dormir transando. A vida continua 567.