Mais um ano passou... é... passou rápido!! Podemos parar e examinar o que aconteceu nesses últimos 365 dias, mas eu prefiro não pensar nisso... o que devemos fazer é olhar os próximos dias... e apenas visualizar o que queremos que esteja reservado para nós dentro de cada um deles... É assim que um ano feliz é feito: de esperanças.sem desperdiçar toda a magia de ser completo e pleno.
Um ano de crescimento eu digo sempre,um ano de desafio a mim mesmo,de reconhecimento,de redescobrir quem eu realmente sou, sem perder o foco,mesmo que sem luzes iluminado o caminho hoje sei que encontrei o caminho certo.
Esse também foi o fim de uma longa e estúpida obsessão,de tempo perdido,de vida preto e branco,vida sem graça em bom português.
Mas parei para pensar hoje não perco meu tempo,com palavras idiotas,pessoas mediúcres e sentimentos bobos,que se vendem.
Obrigado a todos que estiveram comigo quando precisei e quando não precisava também,
Obrigado por me fazerem ver o que eu não via em mim,obrigado por me fazerem descobrir o amor verdadeiro.
Obrigado por toda a transformação em minha vida,que sem vocês seria impossível.
Obrigado mãe por todo o amor
Obrigado pai por todo o suporte
Obrigado irmãos por estarem comigo
e amigos vocês fazem o melhor de mim vir átona.
Ontem estava uma noite bonita na pracinha em frente ao restaurante. Eu tenho uma amiga que é tão morena e bonita e brilha. E fiquei emocionado vendo uma mulher como ela. E quando percebi, estava agarrado nela, perguntando dez vezes por segundo, como já fiz tantas outras vezes: e se eu não puder, de novo? Quando eu vou poder? Será que um dia…
E ela, com mil anos a menos de perguntas do que eu, me disse como quem diz “então vou indo”. Ela disse: goste menos. Por favor, já está na hora, goste menos.
E então cada uma das amigas foi devolvida ao seu carro. Estava tudo tão iluminado na volta pra casa. Estava um silêncio de todo mundo e então não dava aquele oco no meio da cabeça. Estava um quentinho de condomínio de crianças que se penduram protegidas. E eu me ensinando, me encaixando, me acomodando. Só dessa vez, goste menos. Já está na hora. Menos. Por favor. Já está na hora. E pensei tanto em menos que nunca será
A verdade é que eu amo a vida intensamente com todos os seus defeitos e enfeites,e nunca será possível gostar menos.
Que o próximo ano seja,encantador,desafiador,apaixonante.....
Feliz ano novo amores!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
24 toques para ser mais feliz
01 - Seja ético.
A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta o desejo de vingança.
02 - Estude sempre e muito.
A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer.
03 - Acredite sempre no amor.
Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado,curta a dor, mas se abra para outro amor.
04 - Seja grato(a) a quem participa de suas conquistas.
O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados.
05 - Eleve suas expectativas.
Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: "isso não é para nós". Os vencedores pensam em como realizar seu objetivo.
06 - Curta muito a sua companhia.
Casamento dá certo para quem não é dependente.
07 - Tenha metas claras.
A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas: amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras o sucesso, etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro.
08 - Cuide bem do seu corpo.
Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para os outros gostarem também.
09 - Declare o seu amor.
Cada vez mais devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor). Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
10 - Amplie os seus relacionamentos profissionais.
Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.
11 - Seja simples.
Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.
12 - Não imite o modelo masculino do sucesso.
Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina - é mais natural e mais criativa.
13 - Tenha um orientador.
Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, para lhe orientar nas decisões, caso precise.
14 - Jogue fora o vício da preocupação.
Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem ... Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas.
15 - O amor é um jogo cooperativo.
Se vocês estão juntos é para jogar no mesmo time.
16 - Tenha amigos vencedores.
Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
17 - Diga adeus a quem não o(a) merece.
Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo, é atrapalhar sua vida. Não gaste vela com mau defunto. Se você estiver com um marido/mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe... e deixe o espaço livre para um novo amor.
18 - Resolva!
A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários.
19 - Aceite o ritmo do amor.
Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas nuvens é o começo de muita frustração.
20 - Celebre as vitórias.
Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes.
21 - Perdoe!
Se você quer continuar com uma pessoa, enterre o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também.
22 - Arrisque!
O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar.
23 - Tenha uma vida espiritual.
Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são fontes de inspiração.
24 - Muita Paz, Harmonia e Amor... sempre!
A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta o desejo de vingança.
02 - Estude sempre e muito.
A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer.
03 - Acredite sempre no amor.
Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado,curta a dor, mas se abra para outro amor.
04 - Seja grato(a) a quem participa de suas conquistas.
O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados.
05 - Eleve suas expectativas.
Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: "isso não é para nós". Os vencedores pensam em como realizar seu objetivo.
06 - Curta muito a sua companhia.
Casamento dá certo para quem não é dependente.
07 - Tenha metas claras.
A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas: amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras o sucesso, etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro.
08 - Cuide bem do seu corpo.
Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para os outros gostarem também.
09 - Declare o seu amor.
Cada vez mais devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor). Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
10 - Amplie os seus relacionamentos profissionais.
Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.
11 - Seja simples.
Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.
12 - Não imite o modelo masculino do sucesso.
Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina - é mais natural e mais criativa.
13 - Tenha um orientador.
Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, para lhe orientar nas decisões, caso precise.
14 - Jogue fora o vício da preocupação.
Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem ... Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas.
15 - O amor é um jogo cooperativo.
Se vocês estão juntos é para jogar no mesmo time.
16 - Tenha amigos vencedores.
Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
17 - Diga adeus a quem não o(a) merece.
Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo, é atrapalhar sua vida. Não gaste vela com mau defunto. Se você estiver com um marido/mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe... e deixe o espaço livre para um novo amor.
18 - Resolva!
A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários.
19 - Aceite o ritmo do amor.
Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas nuvens é o começo de muita frustração.
20 - Celebre as vitórias.
Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes.
21 - Perdoe!
Se você quer continuar com uma pessoa, enterre o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também.
22 - Arrisque!
O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar.
23 - Tenha uma vida espiritual.
Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são fontes de inspiração.
24 - Muita Paz, Harmonia e Amor... sempre!
sábado, 26 de dezembro de 2009
Pijama azul!
Ao lado do meu computador tem uma taça de vinho e uma água de coco em caixinha. Abro a página em branco e me pergunto: será que eu volto, ou deixo assim, como está? Será que quero voltar a me expor, ou deixo assim, no mistério? Adoro o escancarado e adoro o que faz as malas e some de vista. Adoro e detesto os dois.
Minha tv ligada em filme de sacanagem e meu ipod tocando the kills. No chão tenho o jornal do dia e uma manchinha que não conto o que é. Nem a pau.
Esses drogados de merda, penso isso enquanto me pergunto: será mesmo que minha mão é feita de massinha? Esses homens cascas de merda, penso enquanto vou me despelando até não sobrar nada porque não sei exatamente o que sobra quando não estou atuando. Quando sou eu mesmo, sou o melhor ator que já conheci. Quando não penso sobre ser algo, merecia um Oscar.
Aí eles chegam, tão lindos. E vão embora, tão feios. E ligam, tão bobos. E some, tão especial. E eu morro, ainda que não ligue a mínima. E eu to nem aí, ainda que pense o tempo todo em não estar nem aí. E eu abro a porta, a alma. E quanto mais abro tudo, mais me fecho. E sigo intacto, ainda que todo esburacado. E tenho a plena certeza que cometo o maior erro do ano, ainda que eu não duvide que todos os acertos são mesmo feitos assim: quando a loucura nos vence de alguma forma.
Quero chorar porque o Dudu, o garotinho de dois anos com seu carrinho vermelho, me olha curioso. A pureza me destrói, por causa da sujeira. E a sujeira me destrói, por causa da pureza. Mas sigo inteiro e peço pizza de chocolate com morango. Será que a minha mão é feita de massinha?
Depois, no dia seguinte, lá vem a ressaca. Sempre. Adoro minhas dancinhas e gracinhas e loucurinhas. Mas no dia seguinte acordo e me pergunto: por que é que você não faz cara de paisagem e permanece fino e permanece intocável? Por que é que você não consegue ser só difícil, escroto e blasé? Adoro que a Grazi apareceu com seu vestido vermelho colante de couro por dez minutos e foi embora. Por que é que eu não vou embora?
Aí a música começa e quando vou ver já imitei o Michael Jackson, a Madonna e o Tiririca, porque adoro me trair e estragar tudo. E todo mundo ri, mas ninguém me leva a sério. Mas será que quero? Mas será que alguém leva alguma coisa a sério? Eu queria me levar menos a sério. E é isso que faço, quando faço a dança do macaco-galinha-caranguejo pulando cordas. Mas no final das contas, acabo chorando depois de ganhar alguns minutos de cafuné no cabelo. Qual foi mesmo a última vez que alguém fez carinho em mim sem pedir nada em troca? Eu devia ser criança.
Um milhão de amigos e chorando sozinho. Mas na minha casinha de 40 metros quadrados só cabe eu mesmo. Ainda bem. A coisa que eu menos queria era alguém aqui, agora, me vendo chorar porque não tem ninguém aqui, agora.
E aí o Dom Juan dorme de pijama azul. Não peguei ninguém hoje mas ri bastante. E amanhã vou acordar num tremendo mau humor e morrendo de nojo das pessoas que falam “peguei alguém”. E amanhã vou querer acordar depois de dez anos ou há dez anos. E vou querer congelar na vida de agora, que acontece mais do que antes ou depois. E vou querer sair da gaiola da mesmice. E vou me perguntar de novo quando é que o efeito da ´´droga´´ vai passar. E vou ler esse texto que minha mão de massinha escreveu e querer me esconder ou nas dancinhas de macaco ou no pijama azul. Mas vou acabar publicando o que eu nunca deveria ter dito, como sempre.
Minha tv ligada em filme de sacanagem e meu ipod tocando the kills. No chão tenho o jornal do dia e uma manchinha que não conto o que é. Nem a pau.
Esses drogados de merda, penso isso enquanto me pergunto: será mesmo que minha mão é feita de massinha? Esses homens cascas de merda, penso enquanto vou me despelando até não sobrar nada porque não sei exatamente o que sobra quando não estou atuando. Quando sou eu mesmo, sou o melhor ator que já conheci. Quando não penso sobre ser algo, merecia um Oscar.
Aí eles chegam, tão lindos. E vão embora, tão feios. E ligam, tão bobos. E some, tão especial. E eu morro, ainda que não ligue a mínima. E eu to nem aí, ainda que pense o tempo todo em não estar nem aí. E eu abro a porta, a alma. E quanto mais abro tudo, mais me fecho. E sigo intacto, ainda que todo esburacado. E tenho a plena certeza que cometo o maior erro do ano, ainda que eu não duvide que todos os acertos são mesmo feitos assim: quando a loucura nos vence de alguma forma.
Quero chorar porque o Dudu, o garotinho de dois anos com seu carrinho vermelho, me olha curioso. A pureza me destrói, por causa da sujeira. E a sujeira me destrói, por causa da pureza. Mas sigo inteiro e peço pizza de chocolate com morango. Será que a minha mão é feita de massinha?
Depois, no dia seguinte, lá vem a ressaca. Sempre. Adoro minhas dancinhas e gracinhas e loucurinhas. Mas no dia seguinte acordo e me pergunto: por que é que você não faz cara de paisagem e permanece fino e permanece intocável? Por que é que você não consegue ser só difícil, escroto e blasé? Adoro que a Grazi apareceu com seu vestido vermelho colante de couro por dez minutos e foi embora. Por que é que eu não vou embora?
Aí a música começa e quando vou ver já imitei o Michael Jackson, a Madonna e o Tiririca, porque adoro me trair e estragar tudo. E todo mundo ri, mas ninguém me leva a sério. Mas será que quero? Mas será que alguém leva alguma coisa a sério? Eu queria me levar menos a sério. E é isso que faço, quando faço a dança do macaco-galinha-caranguejo pulando cordas. Mas no final das contas, acabo chorando depois de ganhar alguns minutos de cafuné no cabelo. Qual foi mesmo a última vez que alguém fez carinho em mim sem pedir nada em troca? Eu devia ser criança.
Um milhão de amigos e chorando sozinho. Mas na minha casinha de 40 metros quadrados só cabe eu mesmo. Ainda bem. A coisa que eu menos queria era alguém aqui, agora, me vendo chorar porque não tem ninguém aqui, agora.
E aí o Dom Juan dorme de pijama azul. Não peguei ninguém hoje mas ri bastante. E amanhã vou acordar num tremendo mau humor e morrendo de nojo das pessoas que falam “peguei alguém”. E amanhã vou querer acordar depois de dez anos ou há dez anos. E vou querer congelar na vida de agora, que acontece mais do que antes ou depois. E vou querer sair da gaiola da mesmice. E vou me perguntar de novo quando é que o efeito da ´´droga´´ vai passar. E vou ler esse texto que minha mão de massinha escreveu e querer me esconder ou nas dancinhas de macaco ou no pijama azul. Mas vou acabar publicando o que eu nunca deveria ter dito, como sempre.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Briefing
Um dia minha terapeuta falou pra mim: “você precisa formatar esse homem que você quer. Parar de se perder pelo meio do caminho com gente que não tem nada a ver com você.”
Cheguei em casa e fiz o que os publicitários chamam de briefing. Coloquei em um papel todos os aspectos, formatos, intelectos, medidas, cores, palavras, sentimentos e modos que esse cara deveria ter:
25+, bem-sucedido (mas porque ralou e não porque nasceu rico), moreno, não muito alto, baixinho nem pensar, forte (mas não malhado), sensível mas que saiba carregar peso e resolver problemas burocráticos, engraçado mas sem muitas piadas com pum, que ame a família mas que queira também constituir uma, que ame as crianças mas que nem por isso queira ser uma, que ame os cachorros mas que nem por isso queira ser um, que ame o seu pai mas que nem por isso queira que eu seja o pai dele, que chore vendo tv, desde que não seja o campeonato dublado de pôquer e que ame os amigos mas nem por isso dependa deles para ter personalidade.
Que use um anti-sinais mas às vezes fique com preguiça do banho (homem sempre limpo e cremoso também não dá), que tenha uma quantidade média de pêlos, despelado não dá, tampouco macaco. Que corte as unhas do pé mas jamais use base nas unhas da mão, que tenha uma barriguinha de leve para que eu não fique neurótico com a minha magreza, que, quando de frente para o espelho, olhe seu sorriso e jamais os músculos do seu braço que respire de um jeito aceitável quando dorme depois de beber e que jamais, jamais, jamais: vomite.
Que more sozinho, goste de ler, goste de sexo “olho-olho” e não só de sexo “canal pago”, goste de viajar mas nem por isso deixe de aproveitar os cinemas e os restaurantes maravilhosos de Bh, que seja um pouquinho “cafa” mas só comigo e que goste de uma mistura louca entre Truffaut, Mozart, Garbage, Orson Wells, Bossa Nova, eletrônico, Blur, Hole, The Kills,Lacrosse, Elvis e… evanescence (adoro “a Amy lee”,Tá ninguém é perfeito!).
Bom, na verdade o texto tinha umas 18 páginas (só para gosto musical, cinematográfico e literário iam umas boas 10), mas eu só tenho 3.500 toques aqui.
Assim que terminei meu briefing de homem perfeito, não deu três dias ele apareceu. Dizem pra gente tomar cuidado com o que deseja, pois é. Trocamos alguns e-mails, telefonemas e, a identificação foi tanta, que no dia do nosso primeiro encontro eu quase fiz um pedido de casamento.
Ele escolheu o restaurante perfeito, me buscou na hora certa, usou o perfume certo, colocou o cd certo e disse todas as palavras certas, com direito a uma cultura invejável que calou a minha boca e me fez ter vergonha da minha listinha de músicas, filmes e livros.
Durante o jantar me fez rir o tempo todo, pediu o prato certo, o vinho certo, a sobremesa certa e, pra completar sua desenvoltura impecável: pagou tudo.
De volta ao carro ele abriu a porta para mim, me deixou comandar o ar-condicionado mas não me deixou comandar a discotecagem, afinal, homem precisa ser só meio comandado: totalmente comandado é coisa de fraco e nada comandado é coisa de grosseiro. Perfeito!
Me deixou na porta de casa, desceu do carro comigo. Me deu um beijinho carinhoso, mas não tentou me agarrar, afinal: mistério para o próximo encontro é perfeito.
No dia seguinte, logo pela manhã, me mandou chocolates com um bilhete não cafona com os dizeres: Garoto não consigo te esquecer.
Sim, finalmente eu havia encontrado o homem briefing, ele existia, ele podia ser meu.
Só continuo solteiro porque, infelizmente, nunca mais quis falar com ele. Puta cara chato!
Cheguei em casa e fiz o que os publicitários chamam de briefing. Coloquei em um papel todos os aspectos, formatos, intelectos, medidas, cores, palavras, sentimentos e modos que esse cara deveria ter:
25+, bem-sucedido (mas porque ralou e não porque nasceu rico), moreno, não muito alto, baixinho nem pensar, forte (mas não malhado), sensível mas que saiba carregar peso e resolver problemas burocráticos, engraçado mas sem muitas piadas com pum, que ame a família mas que queira também constituir uma, que ame as crianças mas que nem por isso queira ser uma, que ame os cachorros mas que nem por isso queira ser um, que ame o seu pai mas que nem por isso queira que eu seja o pai dele, que chore vendo tv, desde que não seja o campeonato dublado de pôquer e que ame os amigos mas nem por isso dependa deles para ter personalidade.
Que use um anti-sinais mas às vezes fique com preguiça do banho (homem sempre limpo e cremoso também não dá), que tenha uma quantidade média de pêlos, despelado não dá, tampouco macaco. Que corte as unhas do pé mas jamais use base nas unhas da mão, que tenha uma barriguinha de leve para que eu não fique neurótico com a minha magreza, que, quando de frente para o espelho, olhe seu sorriso e jamais os músculos do seu braço que respire de um jeito aceitável quando dorme depois de beber e que jamais, jamais, jamais: vomite.
Que more sozinho, goste de ler, goste de sexo “olho-olho” e não só de sexo “canal pago”, goste de viajar mas nem por isso deixe de aproveitar os cinemas e os restaurantes maravilhosos de Bh, que seja um pouquinho “cafa” mas só comigo e que goste de uma mistura louca entre Truffaut, Mozart, Garbage, Orson Wells, Bossa Nova, eletrônico, Blur, Hole, The Kills,Lacrosse, Elvis e… evanescence (adoro “a Amy lee”,Tá ninguém é perfeito!).
Bom, na verdade o texto tinha umas 18 páginas (só para gosto musical, cinematográfico e literário iam umas boas 10), mas eu só tenho 3.500 toques aqui.
Assim que terminei meu briefing de homem perfeito, não deu três dias ele apareceu. Dizem pra gente tomar cuidado com o que deseja, pois é. Trocamos alguns e-mails, telefonemas e, a identificação foi tanta, que no dia do nosso primeiro encontro eu quase fiz um pedido de casamento.
Ele escolheu o restaurante perfeito, me buscou na hora certa, usou o perfume certo, colocou o cd certo e disse todas as palavras certas, com direito a uma cultura invejável que calou a minha boca e me fez ter vergonha da minha listinha de músicas, filmes e livros.
Durante o jantar me fez rir o tempo todo, pediu o prato certo, o vinho certo, a sobremesa certa e, pra completar sua desenvoltura impecável: pagou tudo.
De volta ao carro ele abriu a porta para mim, me deixou comandar o ar-condicionado mas não me deixou comandar a discotecagem, afinal, homem precisa ser só meio comandado: totalmente comandado é coisa de fraco e nada comandado é coisa de grosseiro. Perfeito!
Me deixou na porta de casa, desceu do carro comigo. Me deu um beijinho carinhoso, mas não tentou me agarrar, afinal: mistério para o próximo encontro é perfeito.
No dia seguinte, logo pela manhã, me mandou chocolates com um bilhete não cafona com os dizeres: Garoto não consigo te esquecer.
Sim, finalmente eu havia encontrado o homem briefing, ele existia, ele podia ser meu.
Só continuo solteiro porque, infelizmente, nunca mais quis falar com ele. Puta cara chato!
Neo Feliz
Ontem, voltando pra casa cedo porque não tenho mais saco nem pra balada, nem pra papinho de balada, nem pra cigarro, muito menos pra garotinhas que dançam na pista olhando a bunda no espelho e garotos musculosos, tive o insight do ano: a pessoa mais chata do mundo é a pessoa “nova feliz”.
Sabe o cara que foi pobre e brega a vida inteira e de repente começa a ganhar grana? Que ele faz? Pagode, churrasco, barulho, compra carro vermelho importado e escurece os vidros, vai pra Paris e faz aquela foto super criativa segurando uma miniatura da Torre Eiffel (mas é a Torre mesmo, num magnífico efeito de ilusão de ótica ), enche a cara na balada e trata o garçom como alguém de uma casta muito distante e inferior, bota sunga branca e faz pose de ladinho em coqueiro torto. Todo mundo sabe e reclama “novo rico é uma merda”.
Mas nada é pior do que o novo feliz, o cara que foi triste a vida inteira e de repente começa a ficar feliz.
O novo feliz, assim como o novo rico, quer que todo mundo veja que agora ele está podendo. A única diferença é que o novo rico chega de Audi e o novo feliz chega acompanhado de seu belo, novo e caro sorriso. Coisa pra poucos.
O novo feliz é o famoso puxa pista. É o cara que não foi feliz aos vinte anos, época que era engraçadinho chamar os outros pra “bombar com aquela música”. O problema é que o novo feliz só conseguiu grana pro psiquiatra e pro Prozac aos trinta. Época em que todos os seus amigos já não querem mais saber de se acabar nas baladas. Mas ele super anima a galera “cara, vamo aê, meu! Cê tá muito velho! Desarma esse corpo!”.
O novo feliz, assim como o novo rico, ainda não sabe lidar com sua nova situação. Por isso tanta alegria lhe sobe à cabeça: só fala na sua felicidade, mostra as gengivas além da conta, esbanja piadas. Sua boa disposição e humor chegam a ser arrogantes.
Ele não tem pressa, está apenas super envolvido com as coisas. Ele não tem ansiedade, está apenas muito empolgado com o mundo. Ele não corre porque está estressado, mas porque quer sentir a vida. Mais um pouco de fluoxetina e ele dá a bunda.
O novo feliz é o cara que te recrimina por estar puto porque o trânsito não anda. É o cara que recrimina seu olhar realista e um pouco cansado pras coisas do mundo que são como são. É o cara que sempre agüenta mais meia hora na noitada, afinal, todo mundo é velho, menos ele. O que ele não entende é que você não está exatamente velho, apenas está maduro em sua alegria, você não precisa mais pular na pista e encher a cara pra ser feliz, com um livrinho embaixo das cobertas (ou um amorzinho legal) você já consegue essa proeza.
O novo feliz, seja porque começou a tomar remédios, seja porque fez imersão em Freud em algum encontro da firma em Hotel Fazenda “liderando com liderança”, seja porque ficou magro ou seja porque é o mais novo seguidor do The Secret, é o dono da razão, das festas, da sapiência e do verdadeiro significado da vida. Coisa que a gente achava que era com quatorze anos e era bonitinho. O novo feliz adquire instantaneamente um cérebro de treze anos.
O novo feliz é cheio de amigos novos felizes (e um ou outro eterno feliz que se comporta eternamente como se isso fosse uma novidade). Juntos, essa galera tão novata na alegria ocupa seu tempo organizando muito sexo, muitas festas, muitas viagens e muita qualquer outra coisa que tenha gente insegura dando soquinhos no ar.
A verdade é que o novo feliz é a coisa mais deprê do mundo.
Sabe o cara que foi pobre e brega a vida inteira e de repente começa a ganhar grana? Que ele faz? Pagode, churrasco, barulho, compra carro vermelho importado e escurece os vidros, vai pra Paris e faz aquela foto super criativa segurando uma miniatura da Torre Eiffel (mas é a Torre mesmo, num magnífico efeito de ilusão de ótica ), enche a cara na balada e trata o garçom como alguém de uma casta muito distante e inferior, bota sunga branca e faz pose de ladinho em coqueiro torto. Todo mundo sabe e reclama “novo rico é uma merda”.
Mas nada é pior do que o novo feliz, o cara que foi triste a vida inteira e de repente começa a ficar feliz.
O novo feliz, assim como o novo rico, quer que todo mundo veja que agora ele está podendo. A única diferença é que o novo rico chega de Audi e o novo feliz chega acompanhado de seu belo, novo e caro sorriso. Coisa pra poucos.
O novo feliz é o famoso puxa pista. É o cara que não foi feliz aos vinte anos, época que era engraçadinho chamar os outros pra “bombar com aquela música”. O problema é que o novo feliz só conseguiu grana pro psiquiatra e pro Prozac aos trinta. Época em que todos os seus amigos já não querem mais saber de se acabar nas baladas. Mas ele super anima a galera “cara, vamo aê, meu! Cê tá muito velho! Desarma esse corpo!”.
O novo feliz, assim como o novo rico, ainda não sabe lidar com sua nova situação. Por isso tanta alegria lhe sobe à cabeça: só fala na sua felicidade, mostra as gengivas além da conta, esbanja piadas. Sua boa disposição e humor chegam a ser arrogantes.
Ele não tem pressa, está apenas super envolvido com as coisas. Ele não tem ansiedade, está apenas muito empolgado com o mundo. Ele não corre porque está estressado, mas porque quer sentir a vida. Mais um pouco de fluoxetina e ele dá a bunda.
O novo feliz é o cara que te recrimina por estar puto porque o trânsito não anda. É o cara que recrimina seu olhar realista e um pouco cansado pras coisas do mundo que são como são. É o cara que sempre agüenta mais meia hora na noitada, afinal, todo mundo é velho, menos ele. O que ele não entende é que você não está exatamente velho, apenas está maduro em sua alegria, você não precisa mais pular na pista e encher a cara pra ser feliz, com um livrinho embaixo das cobertas (ou um amorzinho legal) você já consegue essa proeza.
O novo feliz, seja porque começou a tomar remédios, seja porque fez imersão em Freud em algum encontro da firma em Hotel Fazenda “liderando com liderança”, seja porque ficou magro ou seja porque é o mais novo seguidor do The Secret, é o dono da razão, das festas, da sapiência e do verdadeiro significado da vida. Coisa que a gente achava que era com quatorze anos e era bonitinho. O novo feliz adquire instantaneamente um cérebro de treze anos.
O novo feliz é cheio de amigos novos felizes (e um ou outro eterno feliz que se comporta eternamente como se isso fosse uma novidade). Juntos, essa galera tão novata na alegria ocupa seu tempo organizando muito sexo, muitas festas, muitas viagens e muita qualquer outra coisa que tenha gente insegura dando soquinhos no ar.
A verdade é que o novo feliz é a coisa mais deprê do mundo.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Há uns meses atras!
Resolvi morar sozinho e passei os últimos meses procurando um apartamento. Gostei logo de cara de um, rua tranquila, vista para várias árvores charmosas, todo pequenininho e aconchegante. Quando entrei nele senti algo especial, estranho, familiar, algo muito bom. Mas não, não se pode ficar com o primeiro que aparece, não é mesmo? Mas lá tem muito trânsito, prédios antigos dão problema na fiação e no encanamento, a garagem era pequena, enfim, continuei procurando.
Depois daquele apartamento vi pelo menos mais uns 30, mas o dito cujo não saia da minha cabeça. A varandinha azul, as vaguinhas para visitantes ao lado, o porteiro velhinho que só sorria. Eu estava apaixonado. Mas não, o mundo tem tantas opções, não é mesmo? Não se pode ir ficando com o primeiro que aparece, ainda mais um primeiro com tantos defeitos: a cozinha era muito antiga, a porta do banheiro batia no bidê (pra que bidê?) e a proprietária não abria mão do carpete (eu sou alérgico).
O tempo passou, prédios modernos, mais baratos, com vistas melhores e até mesmo com banheiros gigantes (eu amo banheiros) passaram, e eu nunca tirei o predinho daquela rua da cabeça. Eu me dizia o tempo todo “o que é do homem, o bicho não come” e seguia a vida tranquilo sabendo que quando finalmente chegasse a hora de me decidir, ele estaria lá esperando por mim.
Eu precisava experimentar o mundo, eu precisava conhecer outros cantos, cheiros e vistas, não, de maneira nenhuma eu poderia me deixar levar pelos sentimentos e assinar um contrato de fidelidade. Um dia eu estaria pronto para sair de casa e ser um homem, um dia eu estaria pronto para não ter mais que olhar pro lado pra poder olhar pra frente. Um dia eu poderia ser dele e então, ele seria meu.
Resolvi passar por lá, não para resolver nada e nem para levar minha mudança, apenas para continuar minha paquera medrosa e distante, saber se estava tudo bem com o meu amor e esquentar um pouquinho nosso relacionamento cheios de dúvidas. Quando fui chegando perto não pude acreditar: a placa de aluga-se não estava mais lá!
Meu coração cheio de fúria não cabia dentro de mim, eu atravessei a rua correndo, apertei a campainha como um fantasma faminto inconformado com a morte mas impotente e invisível. Depois de muito tempo o porteiro berrou sem nem se dar ao trabalho de mostrar o rosto: já tem gente morando lá, foi alugado semana passada!
Voltei e chorei o choro mais profundo, antigo e verdadeiro que já chorei em toda a minha vida. Um choro daqueles contidos pela eternidade.
Me lembrei de vários lugares que eu deveria trabalhar e acabei desistindo porque era muito novo para me enterrar numa mesa de escritório dez horas por dia, mas eram lugares com pessoas, chefes e trabalhos muito divertidos e inesquecíveis.
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem?
Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssimo em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria casou, juntou, sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”.
Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei procurando pela minha casa. Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.
Depois daquele apartamento vi pelo menos mais uns 30, mas o dito cujo não saia da minha cabeça. A varandinha azul, as vaguinhas para visitantes ao lado, o porteiro velhinho que só sorria. Eu estava apaixonado. Mas não, o mundo tem tantas opções, não é mesmo? Não se pode ir ficando com o primeiro que aparece, ainda mais um primeiro com tantos defeitos: a cozinha era muito antiga, a porta do banheiro batia no bidê (pra que bidê?) e a proprietária não abria mão do carpete (eu sou alérgico).
O tempo passou, prédios modernos, mais baratos, com vistas melhores e até mesmo com banheiros gigantes (eu amo banheiros) passaram, e eu nunca tirei o predinho daquela rua da cabeça. Eu me dizia o tempo todo “o que é do homem, o bicho não come” e seguia a vida tranquilo sabendo que quando finalmente chegasse a hora de me decidir, ele estaria lá esperando por mim.
Eu precisava experimentar o mundo, eu precisava conhecer outros cantos, cheiros e vistas, não, de maneira nenhuma eu poderia me deixar levar pelos sentimentos e assinar um contrato de fidelidade. Um dia eu estaria pronto para sair de casa e ser um homem, um dia eu estaria pronto para não ter mais que olhar pro lado pra poder olhar pra frente. Um dia eu poderia ser dele e então, ele seria meu.
Resolvi passar por lá, não para resolver nada e nem para levar minha mudança, apenas para continuar minha paquera medrosa e distante, saber se estava tudo bem com o meu amor e esquentar um pouquinho nosso relacionamento cheios de dúvidas. Quando fui chegando perto não pude acreditar: a placa de aluga-se não estava mais lá!
Meu coração cheio de fúria não cabia dentro de mim, eu atravessei a rua correndo, apertei a campainha como um fantasma faminto inconformado com a morte mas impotente e invisível. Depois de muito tempo o porteiro berrou sem nem se dar ao trabalho de mostrar o rosto: já tem gente morando lá, foi alugado semana passada!
Voltei e chorei o choro mais profundo, antigo e verdadeiro que já chorei em toda a minha vida. Um choro daqueles contidos pela eternidade.
Me lembrei de vários lugares que eu deveria trabalhar e acabei desistindo porque era muito novo para me enterrar numa mesa de escritório dez horas por dia, mas eram lugares com pessoas, chefes e trabalhos muito divertidos e inesquecíveis.
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem?
Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssimo em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria casou, juntou, sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”.
Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei procurando pela minha casa. Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Sacolas!
Na segunda você não está a fim de nenhuma pessoa que pense muito. Aí você olha a sua agenda e resolve ligar para aquele conhecido que faz piadas superficiais. Na terça você nem estava com paciência para pagar de gatão mas jantar com um pseudo protótipo de cara razoável pode ser melhor do que ver filme e ensurdecer com tanta gente berrando “ié, ié, uhú!” (por que eles berram tanto?). Na quarta você tira um ex qualquer coisa da cartola e o usa por vinte minutos para se sentir mais bonito ou para sentir um pouco de cócegas na nuca. No domingo você não agüenta mais existir sozinho no universo e disfarça interesse em alguém desinteressante só para ganhar um carinho no cabelo ou uma topada qualquer no dedão. Qualquer coisa, qualquer coisa. A vida é chata e comprar pessoas dá coragem de seguir para o próximo minuto. Ainda que, depois, as coisas só pareçam mais chatas.
Pessoas viraram bens de consumo. De manhã você acorda, toma seu café da manhã só com o que a nutricionista mandou, se arruma bem bonito e escolhe a bolsa ou mochila como preferir Se for pequena, caberá apenas uma ou outra pessoa para dias leves. Se for grande, é capaz de você acabar numa dessas festas “que vai todo mundoooo”. Quantas e quais pessoas você quer comprar hoje? E o coração vazio, vazio.
A última moda, ouvi dizer, é um amigo fã de rock indie e amigo de algum dj brasileiro fashion que, por sua vez, é amigo de algum dj gringo do momento que, por sua vez, conhece alguém que conhece alguém do Strokes . Você já comprou o seu? Esse tipo de amigo sai caro, mas tem também a versão da José Paulino que você encontra de madrugada na rua. Ele não é amigo de ninguém importante e entrou aonde você estava com desconto, mas andar com ele pode fazer você parecer amigo de alguém que é amigo de alguém. Ai que saco.
Tem também a amiga que cai bem. É a amiga descolada, gata e com casa na praia. Essa amiga é cheia de amigas descoladas, gatas e com casas na praia. E você não suporta os papinhos furados e nem a voz “ultra paulistana dela, meu” e muito menos o namorado dela que trabalha com eventos e menos ainda os sócios do namorado dela que trabalham meio período em administrar a grana do pai. O outro meio período eles comem açaí e dormem, as duas coisas ao mesmo tempo. Mas é o tipo de amiga que cai bem.Gostoza, roupa bonita, cara, cheirosa. Uma boa casca pra você desfilar por aí. E essa amiga, por incrível que pareça, não custa caro. Desesperadas para comprar amigos elas se vendem baratinho.
E tem a melhor de todas as compras do mundinho. O namorado bonitão e de carrão. Ele vem também na versão ap descolado e convites VIP para as melhores festas e eventos da cidade. Se bobear, até umas diversões ilícitas ele vai te arrumar. Serve tanto no inverno, quanto no verão. Nunca sai de moda e ainda vem com vários amigos que, desrespeitando totalmente as leis dos homens que valem a pena, vão dar em cima de você.mesmo você sendo homem tambem. Não serve muito para te fazer companhia se, por exemplo, você quiser filosofar sobre aquele vazio existencial que você tem no fundo do fígado e nem para ir com você naquela festa brega da sua tia avó. Mas entrar com ele numa festa idiota vai te transformar no rei da sua cidade.
Queria saber onde estão aquelas pessoas de verdade, que a gente não compra mas também não vive sem. Aquele amigo que mudou para o outro lado do mundo mas você não pensa duas vezes antes de pegar o carro, o ônibus ou o avião e fazer uma visita. Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz. Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
Queria saber onde é que está aquele tipo de namorado que você não veste para se exibir mas despe para provar só pra si mesmo o quanto é feliz. Que você não desfila ao lado, mas leva dentro do peito. Que você não compra, consome, negocia ou contrabandeia. Mas se surpreende quando ganha de presente da vida.
Aquele tipo que você não usa para ser alguém e justamente por isso acaba sendo uma pessoa muito melhor.
Não culpo pessoas, lugares e sentimentos que se vendem e muito menos me culpo por viver pra cima e pra baixo com minha sacolinha de degustações frugais. É o nosso mundo moderno cheio de tecnologias e vazio de profundidades. Mas hoje, só por hoje, vou sair de casa sem minha bolsa. Vamos ver se acabo conhecendo alguém impagável.
Pessoas viraram bens de consumo. De manhã você acorda, toma seu café da manhã só com o que a nutricionista mandou, se arruma bem bonito e escolhe a bolsa ou mochila como preferir Se for pequena, caberá apenas uma ou outra pessoa para dias leves. Se for grande, é capaz de você acabar numa dessas festas “que vai todo mundoooo”. Quantas e quais pessoas você quer comprar hoje? E o coração vazio, vazio.
A última moda, ouvi dizer, é um amigo fã de rock indie e amigo de algum dj brasileiro fashion que, por sua vez, é amigo de algum dj gringo do momento que, por sua vez, conhece alguém que conhece alguém do Strokes . Você já comprou o seu? Esse tipo de amigo sai caro, mas tem também a versão da José Paulino que você encontra de madrugada na rua. Ele não é amigo de ninguém importante e entrou aonde você estava com desconto, mas andar com ele pode fazer você parecer amigo de alguém que é amigo de alguém. Ai que saco.
Tem também a amiga que cai bem. É a amiga descolada, gata e com casa na praia. Essa amiga é cheia de amigas descoladas, gatas e com casas na praia. E você não suporta os papinhos furados e nem a voz “ultra paulistana dela, meu” e muito menos o namorado dela que trabalha com eventos e menos ainda os sócios do namorado dela que trabalham meio período em administrar a grana do pai. O outro meio período eles comem açaí e dormem, as duas coisas ao mesmo tempo. Mas é o tipo de amiga que cai bem.Gostoza, roupa bonita, cara, cheirosa. Uma boa casca pra você desfilar por aí. E essa amiga, por incrível que pareça, não custa caro. Desesperadas para comprar amigos elas se vendem baratinho.
E tem a melhor de todas as compras do mundinho. O namorado bonitão e de carrão. Ele vem também na versão ap descolado e convites VIP para as melhores festas e eventos da cidade. Se bobear, até umas diversões ilícitas ele vai te arrumar. Serve tanto no inverno, quanto no verão. Nunca sai de moda e ainda vem com vários amigos que, desrespeitando totalmente as leis dos homens que valem a pena, vão dar em cima de você.mesmo você sendo homem tambem. Não serve muito para te fazer companhia se, por exemplo, você quiser filosofar sobre aquele vazio existencial que você tem no fundo do fígado e nem para ir com você naquela festa brega da sua tia avó. Mas entrar com ele numa festa idiota vai te transformar no rei da sua cidade.
Queria saber onde estão aquelas pessoas de verdade, que a gente não compra mas também não vive sem. Aquele amigo que mudou para o outro lado do mundo mas você não pensa duas vezes antes de pegar o carro, o ônibus ou o avião e fazer uma visita. Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz. Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
Queria saber onde é que está aquele tipo de namorado que você não veste para se exibir mas despe para provar só pra si mesmo o quanto é feliz. Que você não desfila ao lado, mas leva dentro do peito. Que você não compra, consome, negocia ou contrabandeia. Mas se surpreende quando ganha de presente da vida.
Aquele tipo que você não usa para ser alguém e justamente por isso acaba sendo uma pessoa muito melhor.
Não culpo pessoas, lugares e sentimentos que se vendem e muito menos me culpo por viver pra cima e pra baixo com minha sacolinha de degustações frugais. É o nosso mundo moderno cheio de tecnologias e vazio de profundidades. Mas hoje, só por hoje, vou sair de casa sem minha bolsa. Vamos ver se acabo conhecendo alguém impagável.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
E assim terminou.
Eu olho pra sua tatuagem e pro tamanho do seu braço e pros calos da sua mão e acho que vai dar tudo certo. Me encho de esperança e nada. Vem você e me trata tão bem. Estraga tudo.
Mania de ser bom moço, coisa chata.
Eu nunca mais quero ouvir que você só tem olhos pra mim, ok? E nem o quanto você é bom filho. Muito menos o quanto você ama crianças. E trate de parar com essa mania horrível de largar seus amigos quando eu ligo. Colabora, pô. Tá tão fácil me ganhar, basta fazer tudo pra me perder.
E lá vem ele dizer que meu cabelo sujo tem cheiro bom. E que já que eu não liguei e não atendi, ele foi dormir. E que segurar minha mão já basta. E que ele quer conhecer minha mãe. E que viajar sem mim é um final de semana nulo. E que tudo bem se eu só quiser ficar lendo e não abrir a boca.
Com tanto potencial pra acabar com a minha vida, sabe o que ele quer? Me fazer feliz. Olha que desgraça. O moço quer me fazer feliz. E acabar com a maravilhosa sensação de ser miserável. E tirar de mim a única coisa que sei fazer direito nessa vida que é sofrer. Anos de aprimoramento e ele quer mudar todo o esquema. O moço quer me fazer feliz. Veja se pode.
E aí passa aquele cara moreno sarado dos sonhos na rua e ele lá, idolatrando a minha boca. E aí o celular dele toca e ele, putz, perdeu a ligação porque demorou trinta mil horas pra passar os dedos do meu cabelo. Com tanto potencial pra me dar uns socos, o moço adora me fazer carinho com a ponta dos dedos.
Não dá, assim não dá. Deveria ter cadeia pra esse tipo de elemento daninho. Pior é que vicia. Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Veja se pode. feliz da vida, e aí chega um desavisado com a coxa mais incrível do país e muda tudo. Até assoviando eu tô agora. Que desgraça.
Ontem quase, quase, quase ele me tratou mal. Foi por muito pouco. Eu senti que a coisa tava vindo. Cruzei os dedos. Cheguei a implorar ao acaso. Vai, meu filho. Só um pouquinho. Me xinga, vai. Me dá uma apertada mais forte no braço. Fala de outro cara. Atende algum amigo retardado bem na hora que eu tava falando dos meus medos. Manda eu calar a boca. Sei lá. Faz alguma coisa homem!
E era piada. Era piadinha. Ele fez que tava bravo. E acabou. Já veio com o papo chato de que me ama e começou a melação de novo. Que saco esse homem pra me beijar. Coisa chata!
Minha mãe deveria me prender em casa, me proteger, sei lá. Onde já se viu andar com um homem desses. O homem me busca todas as vezes, me espera na porta, abre a porta do carro. Isso quando não me suspende no ar e fala 456 elogios em menos de cinco segundos. Pra piorar, ele ainda tem o pior dos defeitos da humanidade: ele esqueceu o ex namorado. Depois de mil anos me relacionando só com homens obcecados por amores antigos, agora me aparece um obcecado por mim que nem lembra direito o nome do ex. Fala se tão de sacanagem comigo ou não? Como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como? Me diz?
Durmo que é uma maravilha. A pele está incrível. A fome voltou. A vida tá de uma chatice ímpar. Alguém pode, por favor, me ajudar? Existe terapia pra tentar ser infeliz? Outro dia até me belisquei pra sofrer um pouquinho. Mas o desgraçado correu pra assoprar e dar beijinho.
Aí tomei vergonha na cara e mandei o cara pastar.Relâmpago,e assim terminou.
Mania de ser bom moço, coisa chata.
Eu nunca mais quero ouvir que você só tem olhos pra mim, ok? E nem o quanto você é bom filho. Muito menos o quanto você ama crianças. E trate de parar com essa mania horrível de largar seus amigos quando eu ligo. Colabora, pô. Tá tão fácil me ganhar, basta fazer tudo pra me perder.
E lá vem ele dizer que meu cabelo sujo tem cheiro bom. E que já que eu não liguei e não atendi, ele foi dormir. E que segurar minha mão já basta. E que ele quer conhecer minha mãe. E que viajar sem mim é um final de semana nulo. E que tudo bem se eu só quiser ficar lendo e não abrir a boca.
Com tanto potencial pra acabar com a minha vida, sabe o que ele quer? Me fazer feliz. Olha que desgraça. O moço quer me fazer feliz. E acabar com a maravilhosa sensação de ser miserável. E tirar de mim a única coisa que sei fazer direito nessa vida que é sofrer. Anos de aprimoramento e ele quer mudar todo o esquema. O moço quer me fazer feliz. Veja se pode.
E aí passa aquele cara moreno sarado dos sonhos na rua e ele lá, idolatrando a minha boca. E aí o celular dele toca e ele, putz, perdeu a ligação porque demorou trinta mil horas pra passar os dedos do meu cabelo. Com tanto potencial pra me dar uns socos, o moço adora me fazer carinho com a ponta dos dedos.
Não dá, assim não dá. Deveria ter cadeia pra esse tipo de elemento daninho. Pior é que vicia. Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Veja se pode. feliz da vida, e aí chega um desavisado com a coxa mais incrível do país e muda tudo. Até assoviando eu tô agora. Que desgraça.
Ontem quase, quase, quase ele me tratou mal. Foi por muito pouco. Eu senti que a coisa tava vindo. Cruzei os dedos. Cheguei a implorar ao acaso. Vai, meu filho. Só um pouquinho. Me xinga, vai. Me dá uma apertada mais forte no braço. Fala de outro cara. Atende algum amigo retardado bem na hora que eu tava falando dos meus medos. Manda eu calar a boca. Sei lá. Faz alguma coisa homem!
E era piada. Era piadinha. Ele fez que tava bravo. E acabou. Já veio com o papo chato de que me ama e começou a melação de novo. Que saco esse homem pra me beijar. Coisa chata!
Minha mãe deveria me prender em casa, me proteger, sei lá. Onde já se viu andar com um homem desses. O homem me busca todas as vezes, me espera na porta, abre a porta do carro. Isso quando não me suspende no ar e fala 456 elogios em menos de cinco segundos. Pra piorar, ele ainda tem o pior dos defeitos da humanidade: ele esqueceu o ex namorado. Depois de mil anos me relacionando só com homens obcecados por amores antigos, agora me aparece um obcecado por mim que nem lembra direito o nome do ex. Fala se tão de sacanagem comigo ou não? Como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como? Me diz?
Durmo que é uma maravilha. A pele está incrível. A fome voltou. A vida tá de uma chatice ímpar. Alguém pode, por favor, me ajudar? Existe terapia pra tentar ser infeliz? Outro dia até me belisquei pra sofrer um pouquinho. Mas o desgraçado correu pra assoprar e dar beijinho.
Aí tomei vergonha na cara e mandei o cara pastar.Relâmpago,e assim terminou.
Começou assim!
Nos conhecemos no Festival de Cinema de Cannes na década de 80 (mentira, foi indo para um festival em São Paulo, mas achei tão chique começar o texto assim).
Eu estava numa festa, no bar do Martinez, (um hotel metido cheio de velho careca e gordinhas a fim de descolar um velho careca) pedindo uma água com gás e ele me encoxou sem mais nem menos. E digamos que, na encoxada, eu senti mais coisa do que menos.
Eu quis xingar, matar, esquartejar, mas só sorri e comecei a suar frio. Ele sorriu e sumiu na multidão. Assim. Da forma mais cretina, nojenta e cafajeste do mundo. Ele violentou minha existência, arrancou de mim um sorriso cúmplice apesar da grosserio terrível e ainda foi embora. Me fez gostar e aceitar aquela indecência e, como se eu já não estivesse assustado e sozinho o suficiente por sentir isso, me abandonou. Você gostou da merda? Então agora se culpe bastante, criança. Eu te soquei, você podia ter revidado, mas você me abençoou. E eu? O que fiz? Te elevei? Te achei especial? Não, só caguei pra você.
Fiquei tão nervoso e estranho e esburacado que voltei pro meu hotel. Eu ia ligar pra minha mãe, tomar um banho quente, meio Rivotril, chorar um pouco, rezar, fazer massagem nos meus pés, colocar um par de meias e dormir. Qual não foi a minha surpresa quando vi que ele estava me esperando na recepção. Fumando como naqueles filmes de homens que fumam. Sentado como naqueles filmes de homens que esperam. Ensebado e olhando tudo com um sorriso demorado que dura pouco. Querendo de um jeito que eu nem sabia lidar mas que, pra ele, era só um desejo de fim de noite. Sujo, errado e precoce. E tudo isso, o mocinho sabe, é tão inevitável. E quem assiste. E quem roteiriza e dirige e o mundo inteiro sabe. Era o homem inevitável. E em mil anos de vidas, nunca senti uma coisa tão absurda. Não era tesão, ódio, simpatia, alegria, pavor, surpresa, susto, medo, nada disso, não tinha nome. Não tinha dicionário. Era um misto de nojo com apetite. Uma vontade de botar a língua pra fora pra vomitar mas aproveitar a queda pra lamber os pés dele. Eu queria enfiar a cabeça dele na privada e dar descarga. Ao mesmo tempo que eu queria a liberdade de nadar naquela água suja. Lembrei agora do Milan Kundera dizendo que o que excita a alma é ser traído pelo corpo. Eu que tanto sinto e tanto digo, naquele instante, senti algo que nem se sente e nem se diz. Era algo só de corpo mas nem por isso físico ou simples. Também não era de corpo. Eu não sabia e era justamente essa a sensação. A de não ter a menor ideia. Não poder recorrer à memória dos sentidos. Ah, isso é tal coisa. Ah, isso é igual quando eu, no dia tal. Ah, isso é novo, mas eu sei que é tal e tal. Nada disso. Era a liberdade sem fim, mas sem força do mesmo tamanho para ir. O que era?
Eu disse não. Mandei ele ir embora. E ria, trincava os dentes, estalava os dedos, mudava a voz o tempo todo, que voz quero usar, o que quero ser, que coisa é essa que tenho que tirar de mim se não sei nem de onde tiro e nem pra onde vai depois. Quase ajoelhei pra pedir que ele saísse da minha frente. Aquela força toda, aquele homem todo e eu dizendo não, me deu uma pena de mim. Eu não dizia não porque não queria ou porque queria. Eu dizia não porque, nossa, tem mesmo certeza que você está esperando por mim? Eu vi, você viu, tinha tanta gente lá, não tinha? Eu tô de calça de moletom vermelha com chinelo. E minha perna direita esta dolorida e eu mancando, então essa barra da calça sujou mais, tá vendo? E eu, hoje, olha que caipira, fiquei nervoso porque tinha tanta coisa no café da manhã, e fiquei com medo de não aproveitar, sabe? E aí me deu ansiedade, sabe? E eu não comi. Porque eu tenho medo. To aqui e todo mundo fala línguas e cifras e roupas e coisas. E eu, ah, o que você está fazendo aqui?
E ele segurou meu braço. Ficou me olhando, olhando, olhando. Como se dissesse, você nem pensa nada disso na verdade. Como se dissesse, não valorize demais, nem a mim, nem a você. Porque era o que na verdade, no fundo, eu estava fazendo, me valorizando demais. Eternamente intocável no meu personagem que nunca merece. Seus olhos tinham um estampado de vamos acabar logo com isso. Como se fosse uma doença o que pegamos no outro hotel, no bar. E agora, inevitavelmente, assim como ele, que combinássemos de nos curar juntos.
E eu disse não. Eu disse não para ele e seus mil anos e mil sexos e mil cigarros e mil bebidas e mil homens e mil mulheres e mil tranquilidades e mil mundos e mil encoxadas. Eu era um dizendo não para mil. Eu estava dizendo não para o homem inevitável. A única espécie de ser que jamais pode ouvir não.
E eu, que pena, disse não porque se dissesse sim não teria a menor ideia do que fazer com aquilo tudo. Com tudo o que ele representava. A festa, no bar, do outro hotel, era pra ele. Gente do mundo inteiro. Mulheres de todos os lugares, eu vi, eu vi, ele te queria também. Então, como assim, você sai da festa atrás do cara de camiseta preta da Hering, com um furo no sovaco. Heim, desgraça de ser? Como? Minhas roupas limpas acabaram e não fazia a barba a uma semana.
O que fazer com isso? E mandei o homem embora. Eu não saberia o que fazer, onde tocar, por onde começar, até onde ir, como parar, nada. Eu tive medo. De não ficar em pé. Ereto. Duro. Durar. E tive medo de jamais conseguir. E só depois, só dias depois, talvez anos, talvez hoje, quando o encontrei de novo, agora de cabelos curtos e trabalhando. Enterrado num laptop tão escuro e voltado para si quanto o dono. Ele nem me viu. Eu estava na sala ao lado. Ele não me viu. Só hoje, eu pensei.. Da onde tirei, no dia, que eu não saberia o que fazer? De onde? Aquela coisa maravilhosa e sem nome que senti. Agora eu sei. E tem nome sim. Eu me senti um homem estupido. O que sempre quis experimentar e ser. Eu fui um homem estupido naquela noite. Ele me fez sentir estupido. Quando ele me encoxou e tal. E depois, ele ali, me esperando. Indo atrás de mim de forma tão surreal que me fizesse achar que era eu atrás dele. Eu chegando depois onde ele tinha ido para chegar atrás. Não foi coração ou alma. Foi pau. Aquilo que senti. A fome enojada. O eterno precoce. A necessidade de ter voz ou extrair durezas que sustentassem.
Começou assim!
Eu estava numa festa, no bar do Martinez, (um hotel metido cheio de velho careca e gordinhas a fim de descolar um velho careca) pedindo uma água com gás e ele me encoxou sem mais nem menos. E digamos que, na encoxada, eu senti mais coisa do que menos.
Eu quis xingar, matar, esquartejar, mas só sorri e comecei a suar frio. Ele sorriu e sumiu na multidão. Assim. Da forma mais cretina, nojenta e cafajeste do mundo. Ele violentou minha existência, arrancou de mim um sorriso cúmplice apesar da grosserio terrível e ainda foi embora. Me fez gostar e aceitar aquela indecência e, como se eu já não estivesse assustado e sozinho o suficiente por sentir isso, me abandonou. Você gostou da merda? Então agora se culpe bastante, criança. Eu te soquei, você podia ter revidado, mas você me abençoou. E eu? O que fiz? Te elevei? Te achei especial? Não, só caguei pra você.
Fiquei tão nervoso e estranho e esburacado que voltei pro meu hotel. Eu ia ligar pra minha mãe, tomar um banho quente, meio Rivotril, chorar um pouco, rezar, fazer massagem nos meus pés, colocar um par de meias e dormir. Qual não foi a minha surpresa quando vi que ele estava me esperando na recepção. Fumando como naqueles filmes de homens que fumam. Sentado como naqueles filmes de homens que esperam. Ensebado e olhando tudo com um sorriso demorado que dura pouco. Querendo de um jeito que eu nem sabia lidar mas que, pra ele, era só um desejo de fim de noite. Sujo, errado e precoce. E tudo isso, o mocinho sabe, é tão inevitável. E quem assiste. E quem roteiriza e dirige e o mundo inteiro sabe. Era o homem inevitável. E em mil anos de vidas, nunca senti uma coisa tão absurda. Não era tesão, ódio, simpatia, alegria, pavor, surpresa, susto, medo, nada disso, não tinha nome. Não tinha dicionário. Era um misto de nojo com apetite. Uma vontade de botar a língua pra fora pra vomitar mas aproveitar a queda pra lamber os pés dele. Eu queria enfiar a cabeça dele na privada e dar descarga. Ao mesmo tempo que eu queria a liberdade de nadar naquela água suja. Lembrei agora do Milan Kundera dizendo que o que excita a alma é ser traído pelo corpo. Eu que tanto sinto e tanto digo, naquele instante, senti algo que nem se sente e nem se diz. Era algo só de corpo mas nem por isso físico ou simples. Também não era de corpo. Eu não sabia e era justamente essa a sensação. A de não ter a menor ideia. Não poder recorrer à memória dos sentidos. Ah, isso é tal coisa. Ah, isso é igual quando eu, no dia tal. Ah, isso é novo, mas eu sei que é tal e tal. Nada disso. Era a liberdade sem fim, mas sem força do mesmo tamanho para ir. O que era?
Eu disse não. Mandei ele ir embora. E ria, trincava os dentes, estalava os dedos, mudava a voz o tempo todo, que voz quero usar, o que quero ser, que coisa é essa que tenho que tirar de mim se não sei nem de onde tiro e nem pra onde vai depois. Quase ajoelhei pra pedir que ele saísse da minha frente. Aquela força toda, aquele homem todo e eu dizendo não, me deu uma pena de mim. Eu não dizia não porque não queria ou porque queria. Eu dizia não porque, nossa, tem mesmo certeza que você está esperando por mim? Eu vi, você viu, tinha tanta gente lá, não tinha? Eu tô de calça de moletom vermelha com chinelo. E minha perna direita esta dolorida e eu mancando, então essa barra da calça sujou mais, tá vendo? E eu, hoje, olha que caipira, fiquei nervoso porque tinha tanta coisa no café da manhã, e fiquei com medo de não aproveitar, sabe? E aí me deu ansiedade, sabe? E eu não comi. Porque eu tenho medo. To aqui e todo mundo fala línguas e cifras e roupas e coisas. E eu, ah, o que você está fazendo aqui?
E ele segurou meu braço. Ficou me olhando, olhando, olhando. Como se dissesse, você nem pensa nada disso na verdade. Como se dissesse, não valorize demais, nem a mim, nem a você. Porque era o que na verdade, no fundo, eu estava fazendo, me valorizando demais. Eternamente intocável no meu personagem que nunca merece. Seus olhos tinham um estampado de vamos acabar logo com isso. Como se fosse uma doença o que pegamos no outro hotel, no bar. E agora, inevitavelmente, assim como ele, que combinássemos de nos curar juntos.
E eu disse não. Eu disse não para ele e seus mil anos e mil sexos e mil cigarros e mil bebidas e mil homens e mil mulheres e mil tranquilidades e mil mundos e mil encoxadas. Eu era um dizendo não para mil. Eu estava dizendo não para o homem inevitável. A única espécie de ser que jamais pode ouvir não.
E eu, que pena, disse não porque se dissesse sim não teria a menor ideia do que fazer com aquilo tudo. Com tudo o que ele representava. A festa, no bar, do outro hotel, era pra ele. Gente do mundo inteiro. Mulheres de todos os lugares, eu vi, eu vi, ele te queria também. Então, como assim, você sai da festa atrás do cara de camiseta preta da Hering, com um furo no sovaco. Heim, desgraça de ser? Como? Minhas roupas limpas acabaram e não fazia a barba a uma semana.
O que fazer com isso? E mandei o homem embora. Eu não saberia o que fazer, onde tocar, por onde começar, até onde ir, como parar, nada. Eu tive medo. De não ficar em pé. Ereto. Duro. Durar. E tive medo de jamais conseguir. E só depois, só dias depois, talvez anos, talvez hoje, quando o encontrei de novo, agora de cabelos curtos e trabalhando. Enterrado num laptop tão escuro e voltado para si quanto o dono. Ele nem me viu. Eu estava na sala ao lado. Ele não me viu. Só hoje, eu pensei.. Da onde tirei, no dia, que eu não saberia o que fazer? De onde? Aquela coisa maravilhosa e sem nome que senti. Agora eu sei. E tem nome sim. Eu me senti um homem estupido. O que sempre quis experimentar e ser. Eu fui um homem estupido naquela noite. Ele me fez sentir estupido. Quando ele me encoxou e tal. E depois, ele ali, me esperando. Indo atrás de mim de forma tão surreal que me fizesse achar que era eu atrás dele. Eu chegando depois onde ele tinha ido para chegar atrás. Não foi coração ou alma. Foi pau. Aquilo que senti. A fome enojada. O eterno precoce. A necessidade de ter voz ou extrair durezas que sustentassem.
Começou assim!
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