sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

o mito do cara misterioso

Com certeza você já deve ter visto um desses ou no seu trabalho, grupo de amigos ou mesmo andando nas ruas. Talvez você até mesmo seja um desses caras. 
É fácil reconhecer o homem misterioso. Ele jamais atende o celular na sua frente. Se levanta e vai atender bem longe de você. E você não sabe se ele está narrando alguma postura do Kama Sutra ou uma receita de bolo de fubá da vovó. O toque do seu celular é discretíssimo e você nem percebe que ele saiu de perto pra atender. Porque ele também é discretíssimo.
Por que terminou o namoro do homem misterioso? Ela enjoou dele? Levou um pé na bunda?Ele ta sofrendo? Você nem sonha. Ele não conta nem pro terapeuta. Aliás, você também jamais vai descobrir se existe um terapeuta.
Sua idade é entre 20 e 38 anos. Não dá pra saber só de olhar. Seu rosto se desfaz em segundos. Talvez ele more nos Jardins. Bh. Veio de Curitiba. Ele é carioca? É ali por perto, você acha. Seu carro é preto ou cinza, quase certeza. Ele gosta de música, porque vive de I-pod. Mas o que será que ele escuta? Nada. você não sabe absolutamente nada do homem misterioso. Quando você o encontra no banheiro, dá um segundo e ele desapareceu. E você louco pra descobrir, ao menos, a marca da sua pasta de dente.
Numa mesa de bar com conversa animada ele se limita a sorrir. Numa festa importante ele se limita a aparecer por minutos e desaparecer em segundos. Em um show ele jamais canta as letras, pula, comemora, fica suado. Aliás, quem é que já encontrou ele em algum show? Ou em algum lugar? Mas era ele, não era?
Dizer seu nome em vão parece até um pecado. Ele nunca fala de ninguém e muito menos dá assunto para alguém falar dele. Não se tem nada a dizer desse cara. Mas, para desespero geral de todas as outras pessoas, o mundo não tem outro assunto. 
Todos os homens desejam loucamente o homem misterioso. Todas as mulheres desejam loucamente o homem misterioso. Sua personalidade incerta acaba se tornando uma personalidade fortíssima e seu jeito anulado acaba se tornando um espaço gigantesco para todos imaginarem o que bem quiserem. 
E eu, como estava dizendo, sempre quis ser desses caras imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já to rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada. E o fulaninho ta morrendo de medo porque escrevi que gosto dele. E se alguém perguntar, vou dizer mesmo que goste dele. E se ele não gostar de mim, minha tristeza não será segredo para ninguém. E minha pasta de dente é para deixar os dentes branquinhos. E quando vou ver, lá se foi o homem misterioso que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser um.
E sofri anos com isso. Até que resolvi conviver de perto com alguns caras misteriosos para tentar descobrir o que se passa na cabeça e na alma desses seres incríveis que nunca têm nada a dizer, a doer, a aconselhar, a cantar, a dançar, a morrer de rir, a detalhar, a exagerar, a sonhar, a dividir, a acrescentar. E descobri que a coisa era muito mais simples do que eu imaginava: nada. Não se passa nada de relevante nem na cabeça e nem na alma desses caras. 
Os homens misteriosos, tão admirados e desejados, não passam de homens sem a menor graça. Eles não calam por mistério, charme ou discrição. Calam porque simplesmente não há nada mais sábio que eles possam faz

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

o vencedor

Venho por meio dessa lhe informar do prêmio. Será entregue em sua residência. Em plástico bolha, fita crepe, caixa de papelão, papel dourado espelhado. 
Pode colocar na mesinha preta, ao lado daquele troço legal que sua mãe te deu. Uma peça de design chique e um coração ensanguentado. 
Vão te perguntar de onde vem aquele coração e você vai ter mais uma história pra contar baixinho, no ouvido das garotas: essa é boa, quer ouvir? Eu no meio de suas carrancas, cabeças de faraós, estrelas e leões. O vencedor.
Pode voltar a respirar, pode fechar a janelinha emperrada da cozinha. Caso fique pesado para a sua decoração, me deixe com os bonequinhos do banheiro. 
Não serviu a saudade que eu sentia só porque você espremia saquinho por saquinho do shoyo longe de mim. Nem era longe, era logo ali, mas eu sentia saudade. Você queria uma prova, você queria a cabeça pra levar pro rei do seu peito. Você queria decapitar a mente que poderia te magoar.
Eu jurei, um dia, vendo você dormir e gostando tanto de você pra pouco tempo, que não teria medo e seria doce e não escreveria uma linha e você seria o escolhido pra não ser mais um escolhido.
Mas você levou meu coração, então só me resta a maldade, a bondade contrariada, que sempre me faz recorrer ao lugar comum de escrever um texto. O lugar onde tanta gente já esteve. O amor não é um jogo mas você ganhou. 
Daqui a pouco você vai se perguntar o que faz exatamente com isso, se não era melhor ter me deixado com o coração, assim eu poderia continuar gostando de você. Eu gostar de você só é um mérito se eu puder ir junto.
Talvez você me mande de volta o prêmio, a caixa rasgada, o papel dourado amassado, o laço frouxo, o coração assustado. E me peça que continue apenas sentindo saudade de quando você demora com os saquinhos de shoyo. 
Pra gente voltar de onde se tem coragem. De onde a pressa é angustia solitária e não um caminhão de lixo que se joga no outro. De onde a insegurança é um gatinho preso numa jaula alta e não um tigre alimentado pelo ego. O amor recém-nascido e alimentado com água pura. Eu estava nele quando você achou que diminuindo seu ritmo você aumentaria suas chances. 
O triste, e por isso eu te ligo e reclamo que é solitário, é que enquanto você pensa em chances, ritmos e ganhos, eu só penso em você.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Visão

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Vai passar, você sabe que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso as vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez' "
Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão das ruas. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa.Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia.Eu te amei muito. sempre disse, como você também disse. Pena que as grandes e as mentes confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, com carinho, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha por você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existiu em mim.
    Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender.
  

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

a gota de suor

Estou sentado com você ao meu lado. A magreza do seu joelho me parece ser nesse segundo a única coisa que realmente faz o mundo girar. Olho pro seu joelho e quero uma página branca de Word pra escrever "a magreza do seu joelho me parece tão forte agora que faz o mundo inteiro girar". Como é bonita toda a sua magreza e toda a sua altura e o seu andar de coqueiro que dança, se espalha, seduz o ar, mas é tão preso no chão que ainda mata sedes. Está escurecendo e daqui seis horas é ano novo. Preciso começar do zero. Combinei comigo que vou escrever sobre outras coisas e não mais sobre essa única coisa sobre a qual escrevo. Veja você que estava eu com um cara até ele ler meus textos. Veja você que depois eu estava com outro cara até ele também ler meus textos. Te conto isso e você me diz "nós somos inseguros demais e queremos um garoto normal, entende?". Passa então um velho com um cachorro. E eu tento desfocar do tanto que o seu joelho me oprime e foco no velho. Não quero mais a página em branco do Word. A verdade, meu querido, é que estou cagando para o velho e seu cachorro. Você com seu joelho e com seu riso largo demais para o charme de maldade que você tenta impor. Você com essa única gota minúscula de suor dependurada no queixo. Você com esse cheiro bom que é mais forte dentro da "canaleta" que vai do centro do seu pescoço até o meio das costas. Você com esse buraco no meio do peito. O que é isso? Você levou um tiro? O que é isso que me dá vontade de te afundar um murro do tamanho da sua pose ou ficar pequeno pra dormir de conchinha no centro do seu peito? Olhando para o cachorro que agora vai longe com o velho, Clarice faria um lindo texto sobre a solidão humana ou sobre o fim da vida ou sobre a amizade sem palavras ou sobre como é mais bonito quando um ser aceita ser inferior. Os barbudos melancólicos eternamente tentando inventar um novo jeito de ser o antigo. Os barbudos melancólicos fariam um texto sobre esse velho trepando com o cachorro, sobre a tentativa de não se vender ao sistema e contemplar, andando com um cachorro. Eles fariam esse texto e se celebrariam e se publicariam e se premiariam. E eles são escritores respeitados. Eu sou apenas um garoto angustiado, de cabeça metralhadora, de tremedeira na existência, de maxilares travados de tanto que dói gostar tanto de tudo. Eu sou apenas o garoto que tenta ser amado. E sou profundamente amado por alguns meses, até o garoto segurar firme a minha mão e dizer "nós somos inseguros e queremos um garoto normal". E então eu me pergunto se não deveria lobotomizar meu cérebro pra pensar menos, lobotomizar meu coração pra sentir menos, lobotomizar meu espírito pra estar agora menos obcecado pelo seu joelho magrelo. E então eu falaria pouco, teria alguma profissão sonsa dessas que a pessoa fica em cima de apostilas na madrugada ao invés de estar abaixo das estrelas e você poderia me dar a sua mão magrela e nós andaríamos pelas ondinhas secas que fazem bordas de espelho para nossas pernas que seguem juntas. Ou, se ser escritor fosse forte demais,que esse fosse meu trabalho, que eu começasse então a escrever sobre o velho e o cachorro. Quem quer bancar o menino que escreve sobre suores e joelhos e cheiros? Eles são inseguros e querem um garoto normal, entende? Você agora penteia o cabelo pra trás, a gotinha de suor pinga no chão fazendo uma lágrima. Você se levanta e vai para a piscina sozinho. Antes, você se esbarra inteiro no meu corpo, como sempre faz só pra me atordoar e só porque é bem legal ter um homem como eu prestando tanta atenção em vocês. Vocês saberiam melhor o que fazer se eu fosse normal, mas algo dentro dessas covardias machistas simplórias e primatas ainda consegue distinguir como é bem legal ser admirado por um homem como eu. Antes de me deixar pirando em toda a sua magreza que flutua pelo mundo como uma música leve e impossível de tirar do repeat, você olha pra trás e diz: "mas deve ter alguém que não tenha medo". E eu jamais poderia escrever sobre o velho e sobre o cachorro, até porque eles desapareceram e eu nem percebi.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Final Feliz

  Esse não é um texto com alguma pretensão literária, e sim o tipo de coisa que escrevo em diários e rascunhos ao longo da vida,mais do que qualquer coisa é um texto de agradecimento.
    É estranho porém não é nenhuma novidade como tudo passou tão rápido,eu queria dizer que esse ano que passou foi sem dúvida um ano muito bom,de crescimento,um ano decisivo. Em um ano eu pude ver como tudo cresceu e tomou forma rapidamente.
  Hoje me sinto bem aonde eu sempre quis estar,a sensação de ter achado um bom lugar,um bom modo de viver. Esse ano foi sem dúvida um ano de coragem e boas energias.O garotinho frágil e desequilibrado finalmente foi embora,e deu lugar ao homem de sentimentos maduros e fortes.
   Acho que ter tido uma vida inteira idealizando e sonhando,serviu para isto,para traçar metas,que em 2010 todas,eu digo todas foram cumpridas ,eu tenho trabalhado finalmente com algo que eu gosto e tenho estudado muito,.Não sei como consegui conciliar,trabalho,familia,faculdade,e meus queridos ´´passa-tempos´´ mas consegui e com isto me sinto muito realizado.
          Sobre os sentimentos,é incrível como tudo muda,eu costumo dizer que nada acontece para o nosso mal,hoje vejo como tudo o que aconteceu em minha vida até aqui foi por puro crescimento,não consigo cultivar sentimentos ruins,sentimentos podres,hoje da vida só trago o melhor,agora eu sei o significado de  não levar nada disto para o coração.
    Sou grato por todas infinitas coisas fantásticas que aconteceram.Como tudo que se ganha do universo tem que ser devolvido,gostaria de ´´retribuir´´ em forma de gratidão,e amor que para mim é o sentimento mais importante e bonito em qualquer coisa. Mãe obrigado por tanto amor,Pai obrigado por tanto apoio,irmãos obrigado por sempre estarem comigo,vocês são uns amores,obrigado amigos por sempre serem incríveis e por fazer todos os momentos serem os mais divertidos,só vocês me fazem rir e sempre querer festejar,pois a vida é linda e deve ser festejada todos os dias,a vida é uma eterna festa,e obrigado a todos que em algum momento de alguma forma compartilhou algum momento bom ou ruim também por que ambos fazem parte do crescimento.
      Não dá e eu não vou descrever como me sinto agora,e nem todas as outras coisas que não poderiam ser escritas.Eu espero que 2011 seja um ano como esse feliz,divertido e de grandes realizações. Acho que eu finalmente tive o meu final feliz, e que o jogo comece novamente!
 beijinhos beijinhos.