quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O post-mortem do amor.

Outro dia me surpreendi quando me dei conta de que é assim mesmo que começa. No aniversário de oito anos de minha irmã mais nova, ela o aguardava com seus grandes olhos azuis brilhantes e seu coraçãozinho pequeno de criança batendo forte, peguntava a sua amiguinha, será que ele vem mesmo? Ele demorou e com seu humor tempestivo de criança por volta de meia hora de atraso decidiu que não ficaria mais na festa, sem seu presente não faria sentido, não faria sentido todos os balões, as palpitações, a falta de ar, o bolo da moranguinho e muito menos balões cor de rosa ou balinhas de todos os sabores. Ele chegou com aquele sorrisão pedindo desculpas dizendo que a sua mãe demorou muito para dar seu banho e ela como todo bom apaixonado aceitou as desculpas desconfiada e em sua mente infantil não conseguia se desligar nenhum minuto se sentido traída pelo nada, pois não sabia o significado da palavra traição pois para ela poderia ser qualquer coisa que a impedisse de realizar a sua vontade que naquele momento era ter aquele menininho magro e sardento em sua festa, em seu coraçãozinho.Depois passou, ela acordou e aquilo tinha sumido, o aperto no peito,as bochechas rosadas, tudo,tudinho havia passado. Aí voltou normalmente para as suas atividades corriqueiras na qual executa muito bem, como dar banho em suas bonecas , preparar lindas tortas de mentirinha, e achar meninos irritantes. Comigo foi mais ou menos assim, todos os dias eu  esperava por aquele segundo que antecedia a sua chegada, aquele momento de frio na barriga, de olhos arregalados, de desejos adultos, urgências, cala frios. Eu achava que nada mais importava apenas você e eu, seu gosto, sua pele, sua chatice, seu ciumes bobo, seu medo de ficar sozinho, suas declarações ou qualquer coisa que você poderia ser para mim. Até que um dia ela chegou  sem avisar, ríspida, sem razão nenhuma, a traição, eu também não sabia muito bem o significado dessa palavra , mas para mim poderia ser qualquer coisa que tirasse você de mim, no nosso caso a pior delas, você deixou de me amar, sem avisar, sem doer, só deixou de amar, daquele jeito que só as crianças gostam, dormir e acordar sem nada no peito. Hoje depois de um certo tempo eu acordei e não tinha mais nada aqui dentro, tão natural, sorrateira, apenas se foi. A verdade é que ninguém nos prepara para isto para o post-mortem do amor, só passa , e você não sabe muito bem o que fazer com isto.